São Paulo registrou 290.334 vínculos formais em ocupações verdes em 2024, segundo estudo divulgado pela Prefeitura de São Paulo em 13 de julho de 2026. O volume representa aproximadamente 5% dos empregos formais do município e mostra que a economia sustentável já está presente em atividades tradicionais da capital, como transporte, manutenção, infraestrutura e gestão de resíduos.
O levantamento foi apresentado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho e analisou 2.709 profissões. Desse total, 345 foram classificadas como ocupações verdes por estarem relacionadas a eficiência energética, fontes renováveis, economia circular, preservação ambiental, uso sustentável de recursos naturais, conformidade e educação ambiental.
Os dados se referem ao mercado formal de trabalho da cidade em 2024. Na comparação com os anos anteriores, houve crescimento no número de vínculos: eram 286.533 em 2022 e 286.978 em 2023. A alta até 2024 reforça a presença de atividades ligadas à sustentabilidade na estrutura ocupacional de São Paulo.
Reparação e manutenção concentram maior número de vínculos
Entre os segmentos mapeados, reparação e manutenção aparecem na primeira posição, com mais de 106 mil trabalhadores. O setor reúne atividades que contribuem para prolongar a vida útil de equipamentos, estruturas e sistemas, reduzindo a necessidade de substituição e o consumo de novos recursos.
O transporte vem em seguida, com 70,5 mil vínculos formais. Depois aparecem gestão de resíduos, com 42,4 mil trabalhadores, e infraestrutura, com aproximadamente 29 mil. A distribuição mostra que os empregos verdes em São Paulo não estão restritos a empresas de tecnologia ou a funções exclusivamente ambientais.
Entre as ocupações com maior número de profissionais estão motorista de ônibus urbano, trabalhador de limpeza e conservação de áreas públicas e trabalhador da manutenção de edificações. São funções inseridas no cotidiano da cidade e que, de diferentes formas, participam da operação, da conservação e do uso mais eficiente dos espaços e serviços urbanos.
Perfil indica desafios para qualificação e inclusão
O estudo também apresenta características do perfil dos trabalhadores identificados. A maioria é formada por homens, enquanto o ensino médio completo aparece como a escolaridade predominante. A faixa etária com maior número de profissionais está entre 50 e 64 anos.
Esses dados ajudam a dimensionar os desafios do mercado de trabalho sustentável na capital. Além de acompanhar a criação e a manutenção dos postos formais, empresas e poder público precisam considerar a qualificação profissional, a inclusão produtiva e a diversificação do acesso às oportunidades.
A concentração de trabalhadores mais velhos também indica a importância de políticas e iniciativas de atualização profissional para pessoas que já atuam nesses segmentos. Da mesma forma, a predominância masculina aponta espaço para ampliar a participação feminina em ocupações relacionadas à manutenção, ao transporte, à infraestrutura e à gestão ambiental.
Mercado sustentável vai além das profissões ambientais
Ao considerar ocupações verdes em diferentes setores, o levantamento amplia a compreensão sobre o que é trabalho ligado à sustentabilidade. A atividade não depende necessariamente de um cargo com a palavra “ambiental” no nome. Ela pode envolver manutenção preventiva, eficiência no uso de recursos, conservação de áreas públicas, transporte coletivo e destinação adequada de resíduos.
Para trabalhadores, o cenário sinaliza a existência de oportunidades em áreas que já fazem parte da economia paulistana. Para empresas, o mapeamento reforça a necessidade de profissionais preparados para atender exigências relacionadas ao uso responsável de recursos, à conformidade e à operação de serviços urbanos.
O diagnóstico divulgado pela Prefeitura não corresponde a um processo seletivo específico nem anuncia vagas individuais. Trata-se de um retrato do mercado formal de trabalho da cidade, com base nos dados de 2024. A pesquisa pode servir como referência para discussões futuras sobre cursos, capacitação e políticas de emprego voltadas à economia sustentável.
Com 290.334 vínculos registrados, os empregos verdes em São Paulo já representam uma parcela relevante das ocupações formais da capital. O levantamento indica que a transição para uma economia mais sustentável ocorre tanto pela expansão de novas atividades quanto pela transformação de profissões tradicionais, que passam a incorporar práticas de conservação, eficiência e responsabilidade ambiental.
