De acordo com o diretor de operações da Vert Analytics, Rolando Bonaccorsi, a redução de custos operacionais é hoje um dos objetivos mais citados nos planejamentos empresariais, e a automação surge quase sempre como resposta automática para esse desafio. Entretanto, essa associação direta entre automatizar processos e economizar recursos merece uma análise mais criteriosa antes de ser tratada como regra universal aplicável a qualquer operação. Pensando nisso, a seguir, abordaremos os pontos que determinam se automatizar realmente compensa ou se outras estratégias trazem resultados mais consistentes.
Por que a automação virou sinônimo de redução de custos operacionais?
A automação ocupa lugar central nas discussões sobre eficiência porque elimina tarefas repetitivas, reduz erros manuais e libera tempo de equipes para atividades estratégicas. Esses ganhos são reais e mensuráveis em muitos contextos, o que reforça a percepção de que qualquer processo automatizado tende a custar menos ao longo do tempo. Esse raciocínio parte de exemplos bem-sucedidos, mas nem sempre representa a realidade de toda operação.
Essa narrativa de economia automática ganha força porque é mais fácil de comunicar do que uma análise detalhada de cada processo. No entanto, conforme destaca o executivo de operações e delivery em tecnologia, Rolando Bonaccorsi, tratar a automação como uma resposta padrão ignora variáveis como o volume de demanda, a complexidade das tarefas e a maturidade dos sistemas já em uso pela empresa.
Quando automatizar não gera economia real
Implementar uma solução automatizada envolve custos que vão além da aquisição da tecnologia, como treinamento de equipes, manutenção contínua e ajustes de integração com sistemas já existentes. Quando esses fatores não entram no cálculo inicial, o retorno financeiro projetado se distancia do resultado obtido na prática, e o que deveria representar economia se transforma em despesa adicional. Isto posto, os seguintes cenários tornam essa distorção mais provável:
- Processos com baixo volume de repetição: o custo de automatizar supera o tempo economizado;
- Etapas que exigem julgamento humano frequente: a automação gera retrabalho de correção;
- Sistemas legados sem capacidade de integração: aumentam o custo de adaptação técnica;
- Operações ainda em fase de mudança constante: a automação trava e precisa ser refeita.
Rolando Bonaccorsi ainda refere que identificar esses cenários antes de investir evita decisões baseadas apenas na expectativa geral de eficiência tecnológica, sem considerar as particularidades de cada operação e o histórico real de desempenho dos processos avaliados.
Outras estratégias que também reduzem custos operacionais
Como informa Rolando Bonaccorsi, reduzir custos operacionais nem sempre depende de automação: a renegociação de contratos, o redesenho de processos e a eliminação de etapas redundantes também geram economia significativa, muitas vezes com investimento inicial menor. Essas alternativas tendem a ficar em segundo plano quando a atenção se volta exclusivamente para soluções tecnológicas.
Inclusive, combinar automação com ajustes operacionais mais simples geralmente traz resultados mais equilibrados do que apostar em um único caminho. Portanto, avaliar o processo por inteiro, antes de escolher a ferramenta, ajuda a direcionar o investimento para onde ele realmente faz diferença no resultado financeiro da operação.
Como avaliar se um processo deve ser automatizado?
A decisão de automatizar deve partir de uma análise objetiva do processo, e não da disponibilidade de uma ferramenta no mercado. Volume de execuções, previsibilidade das etapas e impacto financeiro de erros são critérios que indicam se a automação realmente reduzirá custos operacionais ou apenas transferirá o problema para outra área da empresa.
Dessa maneira, empresas que testam a automação em escala reduzida antes de expandir conseguem identificar falhas de dimensionamento com menor exposição financeira. Essa abordagem gradual permite corrigir rota sem comprometer o orçamento inteiro do projeto, algo que planos totalmente automatizados desde o início raramente permitem.
Decisões mais estratégicas do que automáticas
Em suma, antes de automatizar qualquer etapa, é importante medir o que realmente pesa no orçamento e comparar alternativas manuais otimizadas, consultorias pontuais ou redesenho de processos. Assim sendo, Rolando Bonaccorsi conclui que o maior erro das empresas está em tratar a tecnologia como uma solução universal, quando, na verdade, ela funciona melhor como parte de uma estratégia mais ampla de eficiência.
