O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), afirmou, em nota oficial, divulgada na manhã desta quinta-feira, 10, que não foi à CPI da Covid-19 por causa da crise de segurança pública do Estado. Uma operação da Polícia Militar causou a morte de um traficante ligado ao Comando Vermelho e motivou a reação da facção criminosa, que incendiou ônibus e causou o fechamento de escolas – até o momento, 42 pessoas foram presas. O chefe do Executivo estadual foi convocado para depor mas não compareceu em razão de um habeas corpus concedido, na noite desta quarta-feira, 9, pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em sua decisão, a magistrada destacou que Lima é investigado e, por isso, tem o direito de não se incriminar na comissão.

“A ministra tomou a decisão e facultou a minha participação na CPI. Eu optei por não ir, em razão de todos esses episódios que têm acontecido no Amazonas. Eu preciso estar junto à população e coordenar ações na área de segurança. O povo precisa de mim aqui neste momento”, diz um trecho da nota. Wilson Lima também citou o princípio da separação dos poderes para justificar a sua ausência. Ele argumenta que “os direitos da Constituição Federal precisam ser garantidos”. “Temos um princípio que é importante ser respeitado, que é a independência dos poderes. Isso é um princípio básico e elementar, os direitos da constituição precisam ser garantidos”, acrescenta o texto.

Com a ausência de Wilson Lima, os membros da comissão votaram requerimentos e aprovaram a quebra de sigilo telefônico e telemático de 19 alvos das investigações, entre eles, os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro, conhecida como “capitã cloroquina”, e o assessor da Presidência para assuntos internacionais, Filipe Martins. Na sessão desta quinta-feira, os senadores também aprovaram a convocação do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário – a data de seu depoimento não foi marcada. Além de questionamentos sobre repasses de verbas da União a Estados e municípios, ele deve ser questionado sobre a Medida Provisória (MP) que daria condições para a compra da vacina da Pfizer.