Há três anos, a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes eram executados no Rio de Janeiro. Desde então, mesmo com enorme pressão da sociedade civil, o crime não foi completamente elucidado. Não se sabe o que motivou nem quem foi o mandante dos assassinatos, cometidos pelo policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, como apontam as investigações. Neste mês, o inquérito do caso ganha novos contornos ao debruçar-se sobre as redes sociais. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) firmou, na sexta-feira, 12, um acordo judicial com o Facebook para acessar dados que poderão ajudar a localizar quem mandou matar Marielle. Apesar de ter se recusado a colaborar inicialmente, a iniciativa de firmar este acordo partiu da própria rede social, que disponibilizará pela primeira vez seus dados para a investigação. À Jovem Pan, a plataforma confirmou a parceria, alegando que “respeita a Justiça brasileira”. Segundo o MPRJ, a Justiça já havia decretado o compromisso do Facebook de compartilhar os dados necessários para apuração do crime. No entanto, a rede social descumpriu a primeira decisão judicial. Devido à quebra do acordo, a 4ª Vara da Comarca da Capital instituiu a multa de R$ 5 milhões à companhia Mark Zuckerberg.

A promotora de Justiça Simone Sibilio, coordenadora da força-tarefa que investiga os assassinatos, lamentou a demora do Facebook para fornecer os dados. Ela avalia que o longo período de tempo sem acesso aos dados pode ter causado prejuízos à apuração do caso. Além disso, a promotora afirmou que, apesar da parceria representar um avanço nas investigações, “não se pode afirmar com certeza que os mandantes do crime serão encontrados”.

Um milhão de assinaturas em 46 países

Na próxima semana, Sibilio se reunirá com familiares de Marielle e Anderson para falar sobre o andamento do inquérito. Com 1.050.842 assinaturas coletadas em 46 países, uma petição que exige justiça foi entregue pela organização Anistia Internacional ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) nesta sexta-feira, 12. Além disso, passando por locais relacionados ao crime, como o cruzamento em que ocorreu o assassinato e a sede do governo fluminense, um caminhão espalhou a mensagem: “Três anos é muito tempo sem respostas”. A vereadora e o motorista Anderson Gomes morreram às 21h30 de 14 de março de 2018, vítimas de uma emboscada no bairro do Estácio, no centro-norte do Rio. Além dos dois, a única sobrevivente, Fernanda Gonçalves Chaves, assessora de Marielle, também estava no veículo. Naquela noite, Marielle participou de um debate com jovens negras na Casa das Pretas, na Lapa. Quando retornava, o carro em que estava foi alvejado por 13 disparos. Três deles atingiram as costas de Anderson, outros três acertaram a cabeça da vereadora e uma o pescoço dela.