Parlamentares da oposição no Congresso Nacional acionaram o Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo que sejam apurados possíveis gastos “excessivos e injustificáveis” do governo federal. O pedido acontece após as contas do Executivo com alimentação em 2020, que somam R$ 1,8 bilhão e tiveram aumento de 20% em relação ao ano de 2019, repercutirem nas redes sociais. Gastos milionários com itens como leite condensado, chicletes, vinhos e alfafa atraíram a atenção de internautas, assim como do Legislativo, que pede que o Tribunal apure se os gastos são justificáveis,  explica o senador Randolfe Rodrigues.  “Encaminhamos a representação ao TCU, que é a instituição responsável para fazer a auditagem, inclusive garantindo o direito de defesa, e avaliando se os gastos são justificáveis ou não.”

Para o senador, há um contraste nas compras feitas pelo Executivo em um ano de crise sanitária. Nesta terça-feira, 26, o senador ressaltou que com o valor gasto com alimentação em 2020 seria possível construir 180 hospitais de campanha, essenciais para o enfrentamento à pandemia, ou ser destinado para pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 para três milhões de famílias, “que certamente precisam muito mais do que o Presidente ou seus assessores”, disse em publicação no Twitter. “Na minha região [Amapá], em Manaus, ainda pouco Rondônia, Porto Velho, há um colapso no sistema de saúde. Estamos enfrentando uma pandemia, muitas regiões e locais precisam de oxigênio, não temos ainda claro o fornecimento de vacina para todos os brasileiros. Paralelamente, a notícia de que os gastos do governo com leite condensado, alfafa, com esses itens que não me parecem justificados, não quero acusar, mas é um contraste”, afirmou em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta quarta-feira, 27.

Randolfe Rodrigues também afirmou no Twitter que o governo retirou o Portal Transparência do ar após repercussão dos gastos públicos nas redes sociais. De fato, não é possível acessar o site do governo no momento. Para o senador, o que mais “saltam aos olhos” não são as despesas totais, mas principalmente o preço por item comprado pelo governo federal. “O gasto de uma lata de leite condensado é de R$ 167, quem vai ao supermercado pode perceber que está demasiadamente caro a unidade do leite condensado adquirido pelo poder Executivo. Acredito e espero uma explicação, para que o governo possa se defender e apresentar uma explicação. Não é só o gasto em si, o item em si, é o valor unitário que chama atenção.”

Ao ser questionado sobre possível necessidade de redução de custos também no Legislativo, Randolfe Rodrigues concordou com a necessidade, lembrou que, em 2020, seu gabinete renunciou à verba indenizatória nos meses mais críticos da pandemia e que ele apresentou um projeto de resolução propondo reduzir a verba indenizatória. “Tem realmente que reduzir a despesa de todos os Poderes, a minha parte e eu já fiz, acho que é um exemplo interessante para o governo seguir.”