O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acredita que os resultados das eleições municipais do último domingo, 15,  mostram um ambiente de mais “racionalidade” na política em relação a 2018. Em palestra na Associação Comercial de São Paulo, ele disse que o período de 2019 até o meio da pandemia foi marcado por uma relação difícil entre os Três Poderes, por conflitos, radicalização e uso das redes sociais para difamar adversários. Segundo Maia, a influência das mídias sociais foi menor no pleito deste ano e com isso renasceu um “espaço para a política se colocar”. “Com uma influência das redes sociais, é obvio que renasce o espaço para a política se colocar no processo eleitoral e uma compreensão melhor do que será a política daqui pra frente. Um ambiente que se respeite de forma mais clara as divergências, que esse ambiente radical não deixa acontecer.”

Rodrigo Maia não vê uma grande influência das eleições 2020 na disputa presidencial de 2022. Na visão do deputado, os próximos meses de votações no Congresso Nacional vão ser mais definitivos para o sucesso ou não do atual governo nas urnas. “Acredito que os próximos meses no parlamento para o governo federal terão um peso muito maior que o resultados das eleições de 2020. O governo vai ter que tomar decisões, escolher caminhos que não são fáceis, não são caminhos com votações simples.”

A Câmara dos Deputados vai entrar na sexta semana sem votar projetos. O ritmo só deve ser normalizado depois do segundo turno das eleições municipais, quando alguns partidos avaliam compensar o atraso fazendo votações todos os dias da semana. Mesmo assim, Rodrigo Maia crê que será necessário suspender o recesso parlamentar. “A gente vai precisar trabalhar janeiro. Não dá tempo de votar uma Emenda Constitucional até 23 de dezembro, não dá tempo. Não é uma questão de querer votar em janeiro por causa da minha sucessão, isso é um besteirol que não fica de pé para quem lê o regimento da Câmara dos Deputados”, diz. As prioridades traças pelo presidente Rodrigo Maia para os próximos meses são: PEC emergencial, reforma tributária e a reforma administrativa. A tributaria, segundo ele, depende apenas de um acordo entre a base aliada e a equipe econômica do planalto para ser votada, mas ainda não há previsão que quando isso pode acontecer.

*Com informações do repórter Levy Guimarães