A declaração do governador de São Paulo, João Doria, neste final de semana sobre a possibilidade de se candidatar à reeleição e, com isso, deixar de disputar o cargo de presidente da República, mexe com as estruturas políticas do PSDB. A mudança de planos vem na esteira da decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de anular as condenações do ex-presidente Lula. Assim, recuperando seus direitos políticos, o petista pode postular uma vaga ao Planalto em 2022. Segundo Doria, “diante deste novo quadro da política brasileira, nada deve ser descartado”. O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) marcou para outubro, exatamente um ano antes das eleições, as suas prévias para a disputa presidencial. Além de Doria, outro nome é bem cotado dentro da legenda, trata-se de Eduardo leite, governador do Rio Grande do Sul.

O historiador e sociólogo Eduardo Baez diz que o fator Lula traz peso para as decisões dos políticos e suas estruturas para 2022. “O que nós vamos ver nos próximos dias é justamente todo um processo de realinhamento político e o que pode acontecer é, primeiro, uma possível junção da esquerda em torno do nome de Lula. Há também uma reordenação que pode afetar o próprio centro político, que vamos lembrar, algum tempo atrás, esse centro político era totalmente alinhado ao presidente Lula. O que estamos vendo é a formação de um novo tabuleiro no jogo político brasileiro”, disse. Marco Vinholi, presidente estadual do PSDB, diz que a fala de Doria se dá pela conjuntura política atual. “Frente a esse cenário, a construção através do diálogo, da colaboração, da construção de um programa, de teses fundamentais para a retomada do Brasil do centro democrático brasileiro. Portanto, governador João Doria se coloca como um construtor desse centro, que possa dialogar com forças que pensam da mesma forma”, afirmou. Desde que rompeu com Jair Bolsonaro, Doria se colocou como presidenciável.

*Com informações do repórter Fernando Martins