O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que só no dia 08 de janeiro desde ano foi informado dos problemas envolvendo o fornecimento de oxigênio para o Amazonas. Ou seja, seis dias antes do sistema de saúde colapsar. Segundo ele, o problema não foi a falta de planejamento, mas sim o esgotamento da capacidade de produção do fornecedor. Nesta segunda-feira, 18, caminhões da Venezuela cruzaram a fronteira com o Brasil para levar oxigênio a Manaus. O governador do Estado, Wilson Lima, que estava ao lado de Pazuello durante pronunciamento, explicou que em poucos dias o consumo de oxigênio passou de 15 mil para 70 mil metros cúbicos no estado. Após uma semana de colapso, o governador avalia que a situação atual parece sob controle. “Nós temos uma preocupação sobretudo para o mês de fevereiro. O mês de fevereiro é historicamente o período com maiores casos de síndrome respiratória aguda grave. Então estamos nos preparando para essa situação”, disse Wilson Lima. Eduardo Pazuello está em contato com os demais governadores para avaliar a situação do oxigênio em outros estados.

Ainda nesta segunda, o ministro se irritou por ser questionado sobre o posicionamento do governo federal que em meio à crise de oxigênio reforçava a necessidade de tratamento precoce para a Covid-19, que envolve a utilização de medicamentos como a cloroquina. Pazuello defendeu a necessidade de atendimento precoce e negou que ele tenha recomendado qualquer tipo de medicamento ou defendido o uso deles. “Eu não falei isso senhora, eu não usei esse termo nenhuma vez, a senhora não ouviu me falar nenhum remédio”, disse. No entanto, na semana passada, o ministro falava em tratamento precoce para a doença ao lado do presidete Jair Bolsonaro. “Manaus não teve a efetiva ação no tratamento precoce com diagnóstico clínico, com atendimento básico. Isso impactou muito a gravidade da doença”, disse durante transmissão nas redes sociais.

O presidente tem afirmado de forma recorrente que a utilização do chamado kit covid, com a cloroquina, azitromicina e anita, foi responsável pela não internação de pelo menos 200 pessoas do governo que pegaram a doença. O último balanço do Ministério da Saúde mostra que o país já soma 8,5 milhões de casos confirmados da doença e 210 mil mortes.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin