A CPI criada no Congresso Nacional para investigar supostos erros cometidos pelo governo federal no combate à pandemia começa os trabalhos nesta semana. Entre terça e quinta-feira, todos os ministros da Saúde do governo do presidente Jair Bolsonaro prestam depoimento no colegiado. Nesta terça, os senadores membros da Comissão ouvem Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Alguns parlamentares questionam se haverá tempo suficiente para que os dois falem ao colegiado. Além disso, há uma preocupação do governo de que Mandetta utilize a comissão parlamentar de inquérito como palanque eleitoral para 2022.

Para tentar evitar que isso aconteça, o Palácio do Planalto orientou aos governistas membros do colegiado a tentar restringir as perguntas feitas a Mandetta ao período em que ele esteve à frente da Saúde. A ideia é evitar que o ex-ministro se transforme em uma espécie de comentarista político de ações tomadas por Bolsonaro após ter deixado o cargo. Na quarta, a CPI ouve o general Eduardo Pazuello. Neste final de semana, ele foi preparado para o depoimento por assessores do governo em uma reunião ocorrida no sábado, 1º, no Palácio do Planalto.

A expectativa é que ele defenda as ações adotadas no período que esteve a frente do Ministério e blinde o presidente Jair Bolsonaro de qualquer possível responsabilização. Na quinta, a Comissão ouve o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o diretor da Anvisa, Antônio Barra Torres. Ainda na quinta-feira, os senadores membros do colegiado devem votar os mais de 300 requerimentos de informação e pedidos de depoimento apresentados e, com isso, será mais fácil prever qual caminho tomará a CPI da Covid-19.

*Com informações do repórter Antônio Maldonado