O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta segunda-feira, 23, a cobrança em torno da demarcação de terras indígenas. Em conversa com seus apoiadores, na frente do Palácio da Alvorada, Bolsonaro falou também sobre a pressão internacional que sofre por causa dos incêndios e do desmatamento da Amazônia e afirmou que as críticas contra o Brasil são “infundadas” e “têm objetivo comercial”. O presidente fez defesa do agronegócio brasileiro. “Não é da forma como eles dizem que nós tratamos. Forma mentirosa, que nós tocamos fogo em tudo. Nós não plantamos na Amazônia”, afirmou o presidente. “Criticam falando que estamos fazendo derrubada na Amazônia. Críticas infundadas, têm objetivo comercial.”

Em seguida, Bolsonaro afirmou que o grande temor do agricultor é “acordar e saber que sua terra tá sendo demarcada pra índio”. “No meu governo, houve alguma coisa sobre isso? Agora dá para imaginar o quanto eu sofro de fora do Brasil?”, perguntou a um apoiador que afirmou trabalhar com agronegócio. “No passado quando qualquer presidente viajava, quando voltava na semana seguinte tinha, um Diário Oficial da União extra, tudo quanto é demarcação de terras indígenas, ampliação de parques e reservas e cada vez mais inviabilizando a nossa agricultura”, disse. O presidente afirmou que agora, em seu governo, “para demarcar alguma coisa tem que estar muito bem explicado”.

Para ilustrar seu argumento, o presidente utilizou a terra Yanomami como exemplo. “Tem mais ou menos, ninguém pode comprovar, são 10 mil índios. Alguém sabe o tamanho da reserva Yanomami comparando com outros Estados? É duas vezes (sic) o tamanho do Estado do Rio de Janeiro. Justifica isso?”, questionou o chefe do Executivo. “Lá é uma das terras, o subsolo mais rico do mundo. Ninguém vai demarcar terra com subsolo pobre. Agora o que o mundo vê na Amazônia? Floresta? Tá de olho no que tem embaixo da terra”, afirmou em tom de crítica.