O juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, condenou Marluce Quadros Vieira Lima, de 82 anos, mãe do ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB), a uma pena de 10 anos de prisão por crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa, em regime inicialmente fechado. Pela idade avançada, ela poderá cumprir prisão domiciliar, caso haja autorização do juiz da Execução Penal. Em sua decisão, o magistrado afirmou que Marluce participou, em conjunto com o ex-ministro, da ocultação de R$ 42 milhões e US$ 2,6 milhões, valores que teriam sido pagos ao ex-ministro como propina – os valores foram apreendidos no caso que ficou conhecido como “bunker” do Geddel. A defesa de Marluce já recorreu da decisão.

Na sentença, o juiz também afirma que a mãe de Geddel tinha “plena consciência de sua conduta ilícita” e que, embora pudesse adotar “conduta diversa”, “preferiu envolver-se e apoiar sobremodo os filhos, seja guardando, seja administrando ou investindo a quantidade assustadora de recursos angariada pelos filhos, da Odebrecht, da atividade na Caixa Econômica, dos funcionários públicos que na verdade eram seus empregados, entre outras fontes”.

O magistrado também desconsiderou o argumento apresentado pela defesa de Marluce, que alegou, ao longo do processo, que ela acreditava que os recursos eram lícitos. “Quanto à acusada neste processo, os autos mostram que Marluce Vieira Lima foi além da cessão de sua residência (seu closet) para a ocultação de milhões de reais (e dólares), em caixas e malas e de simples auxílio inocente aos filhos. Na qualidade de matriarca, por não ocupar função pública, nem ser figura pública como eram seus filhos, teve a função na associação delituosa de responsabilizar-se pela guarda e administração do dinheiro ilícito, inicialmente em sua residência, compartilhando com seus dois filhos como seria a utilização dos valores ilícitos e quem seriam os seus destinatários e quais os negócios que a família iria enveredar.