O deputado federal Ricardo Barros (PP) garantiu que o debate sobre impeachment do presidente Jair Bolsonaro já é um “assunto superado”. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o líder do governo na Câmara dos Deputados negou que haja possibilidade do tema avançar após as eleições no Congresso Nacional e afirmou que não há qualquer motivo para pensar em afastamento do chefe do Executivo. “O assunto está presente justamente pela eleição na Câmara. Já disse que não fará e o candidato a Arthur Lira, franco favorito para vencer, claro que vai analisar, mas não tem intenção de abrir impeachment. Isso paralisa, é um processo demorado, prejudica o governo e prejudica as pessoas do Brasil. Não há motivo para impeachment, não tem motivo para que os pedidos que entram tenham que prosperar. Nesse sentido, entendemos que o assunto está superado.”

Segundo Barros, a discussão sobre possível abertura do processo de impeachment de Bolsonaro ganhou força após a presidente do Partido dos Trabalhadores, deputada federal Gleisi Hoffmann, cobrar uma declaração de Baleia Rossi (MDB), candidato ao cargo na mesa diretora da Câmara, sobre o tema. “Ele [Rossi] não nega e não confirma, houve esse movimento, mas hoje se você olhar a primeira página de todos os jornais não tem mais o assunto impeachment em pauta”, afirmou o deputado. A declaração do líder do governo, no entanto, acontece um dia após lideranças religiosas publicarem pedido de afastamento do presidente. Ao todo, 380 assinaturas compõem o documento que considera crime de responsabilidade de Bolsonaro frente à pandemia da Covid-19 e o “desprezo pela vida”. Para Ricardo Barros, não houve qualquer omissão, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) “esvaziou” o presidente de qualquer liderança.

“Naquele momento a ideia do supremo era esvaziar a liderança do Bolsonaro sobre o processo de condução [da pandemia]. Quando dá errado quer que ele responda. O STF vendo a bobagem que cometeu tenta dar interpretação diferente da sua decisão anterior, mas foi claro, é só ver as notícias em que o Supremo tomava do governo a liderança do combate à Covid-19. Quando Doria mandou fechar as praias alguns prefeitos não fecharam, quando houve decisão nacional estados e municípios não seguiram.  O ministro da saúde faz a política de atendimento à saúde, mas não a executa. Quem a executa não tem que seguir a regra do poder central”, disse, reforçando que não há omissão do governo federal no combate à pandemia e minimizando que possíveis pressões partidárias possam ampliar o debate sobre o impeachment.