O falecimento do senador Major Olímpio, de 58 anos, continua gerando manifestações políticas. O parlamentar, que teve morte cerebral nesta quinta-feira, 18, estava internado no hospital São Camilo, em São Paulo, desde o início do mês. Olímpio é a terceira vítima da Covid-19 entre os membros do Senado Federal, o que causa profundo pesar no Congresso Nacional. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta sexta-feira, o senador Esperidião Amin (PP) lembrou dos anos de trabalho com o colega e manifestou suas condolências pelas mais de 280 mil mortes em decorrência da doença no Brasil. “É o terceiro companheiro de trabalho, independente de concordar ou discordar, era companheiro de trabalho na jornada da democracia. Sempre tivemos relacionamento fraterno, cordial e respeitoso.”

O senador também falou sobre a relação do colega com o presidente Jair Bolsonaro, a quem Major Olímpio apoiou abertamente durante a campanha presidencial de 2018. Amin reconheceu que Bolsonaro e Olímpio tinham uma sincronia “quase absoluta”, mas disse ser impossível falar sobre os possíveis “desencontros” que afastaram os políticos. “A jornada política do Major Olímpio foi muito em parceria com o então deputado Jair Bolsonaro, fomos colegas, os três, na Câmara no período de 2015 e 2019, que foi um período decisivo para a candidatura bem sucedida de Jair Bolsonaro. Do ponto de vista de cartilha, havia uma sincronia quase absoluta entre ambos. Os desencontros, desses eu não sou juiz. Dos desencontros às vezes nem os dois sabem qual é o conjunto dos detalhes. O busílis mora nos detalhes”, disse. Olímpio se afastou do presidente após o primeiro ano do governo Bolsonaro por desaprovar a conduta do mandatário frente à operação Lava Jato. Mesmo com a ligação antiga entre ambos, o presidente ainda não se pronunciou sobre o falecimento do antigo colega.

Pandemia

Ainda sobre o presidente Jair Bolsonaro e o enfrentamento à pandemia, Esperidião Amin disse que o presidente deve ter responsabilidade e aceitar que as medidas necessárias contra a Covid-19, citando que o distanciamento social e higienização estão, inclusive, na Bíblia. “Não nos cabe, nesse momento, fiscalizar o que você diz e dizer quais são os remédios, aí falando de química, coisas que podem aplicar e ingerir [contra a Covid-19], isso cabe à ciência. Foi a grande decisão de todos que deram certo no combate a pestes, gripe espanhola, gripe H1N1. Você pode ter várias divergências de comportamento, mas deve seguir a ciência”, afirmou. O senador também reconheceu que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 será fundamental após o enfrentamento da fase “agudíssima” da pandemia. Agora, segundo ele, a prioridade deve ser salvar vidas.