O Palácio do Planalto monitora de perto o depoimento de Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), à CPI da Covid-19. A oitiva desta quarta-feira, 12, é a mais aguardada desta segunda semana de trabalhos da comissão, e ocorre um dia depois de o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, ter surpreendido aliados do governo federal pelas críticas feitas à postura do presidente Jair Bolsonaro. Segundo apurou a Jovem Pan, a escassez de vacinas será atribuída ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, mas o teor do depoimento de Wajngarten é visto com ressalvas por auxiliares do chefe do Executivo federal.

Para esclarecer como se deu a negociação do governo federal com a farmacêutica Pfizer, a cúpula da CPI da Covid-19 decidiu que vai pedir a quebra dos sigilos telefônico e telemático de Wajngarten – o requerimento precisa ser aprovado pela maioria do colegiado. Os senadores que integram a comissão também avaliam que o ex-chefe da Secom pode fornecer detalhes sobre a existência do chamado “gabinete paralelo” de assessoramento a Bolsonaro.

Wajngarten foi convocado a depor após uma entrevista concedida à revista Veja, na qual afirma que o governo brasileiro recusou uma oferta de 70 milhões de doses da vacina da Pfizer, em agosto do ano passado, porque houve “incompetência” e “ineficiência” dos gestores do Ministério da Saúde, à época comandado por Pazuello. Apesar disso, senadores avaliam que, a depender do que o ex-chefe da Secom disser, não será possível dissociar o ex-ministro do presidente Jair Bolsonaro. “O depoimento de Wajngarten desperta curiosidade pelas declarações que deu à revista Veja. A CPI é o fórum adequado para ele ratificar o que colocou naquela entrevista. A sociedade brasileira fica curiosa para saber o que acontece nos bastidores do governo”, disse à Jovem Pan o senador Angelo Coronel (PSD-BA), suplente da comissão.