O senador Eduardo Girão é mais um parlamentar que discorda da opção do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, de não cumprir a decisão judicial que tenta barrar Renan Calheiros de assumir a relatoria da CPI da Covid-19, que será instalada nesta terça-feira, 27. “Decisão judicial tem que ser cumprida. E, com todo respeito a quem pensa diferente, é algo muito óbvio. Existe conflito de interesse flagrante. Falo isso de cadeira cativa porque tenho independência. Não sou nem governista, nem oposicionista. Estou para defender os interesses do país. Se começar do jeito que está, com a relatoria de Calheiros, já começa desacreditada perante a população.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, afirmou que não existe meia-relatoria. “Ele tem um filho que é governador (Renan Filho, do Alagoas), disse que ia se abster. Mas não existe meia-relatoria: ou você é relator ou não é. Não tem como sair dessa sinuca de bico. Espero que meus colegas entendam isso para buscarmos a verdade e não parte da verdade.” Para tentar barrar a nomeação de Calheiros, Girão é candidato ao posto de relator da comissão. Porém, caso não seja escolhido, ele não aceitará uma sub relatoria. “Vejo que esse processo já começa equivocado. Foi uma coisa feita de forma não democrática, não se ouviu os membros da CPI.”

Eduardo Girão defende que a comissão não pode ser uma blindagem para governadores e prefeitos. “Eu quero investigar com independência e isenção as eventuais omissões do governo federal, mas focar só nisso passa a mensagem de palanque político. É desumano, uma covardia com o povo brasileiro neste momento de crise sanitária, desemprego e fome.” O senador afirmou que muitos membros da CPI já fizeram pré-julgamento sobre os que devem ser ouvidos nos próximos 90 dias e isso não é correto. Segundo ele, os objetivos que estavam no escopo inicial eram muito claros: sangrar o governo federal, apenas, e não olhar para os outros escândalos.

“Vou lutar para ter uma CPI técnica e não pirotécnica”, declarou. Eduardo Girão tenta aprovar 44 requerimentos para ouvir na CPI. Entre eles estariam os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello, além do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello. “Aquela decisão que tirou atribuições do governo federal e dá aos Estados e municípios. A gente precisa saber qual o monitoramento desses dados. Isso evitou mais mortes? Isso a gente precisa ter em mente para buscar a verdade. Acho importante ouvir, ver o que aconteceu em Manaus. Mas sempre dando oportunidade ao contraditório e a ampla defesa.”