Ao lado do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro fez um breve discurso na Cúpula que comemora o aniversário de 30 anos do Mercosul nesta sexta-feira, 26. Ele considerou o momento atual como “difícil e repleto de desafios” e prestou solidariedade às famílias das vítimas do novo coronavírus. “Reafirmo minha solidariedade às famílias e meu profundo pesar pela perda de vidas e pelo sofrimento que a pandemia tem causado aos nossos povos”, afirmou. Na maior parte do discurso, Bolsonaro frisou a importância da reunião extraordinária entre ministros do bloco, marcada para o mês de abril, defendeu a modernização do Mercosul com a atualização da tarifa externa comum e considerou que a região precisa participar da “quarta revolução industrial”, ocupando “o espaço que nos cabe no mundo das grandes correntes econômicas e internacionais”.

Os ministros Ernesto Araújo e Paulo Guedes não falaram durante o pronunciamento. A presença do chanceler brasileiro ao lado do presidente durante o discurso ocorre diante de um momento de tensão sobre a estadia dele no governo. Ainda na quarta-feira, 24, o ministro participou de uma audiência no Senado para dar detalhes da atuação do Itamaraty na busca por vacinas contra a Covid-19 e foi criticado por diversos senadores, que pediram a sua saída. Na quinta, em coletiva de imprensa, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmou que “todos os brasileiros enxergam a necessidade de o Brasil ter uma representatividade externa melhor do que tem hoje”. Em entrevista à Jovem Pan, uma das lideranças do Centrão, o deputado Fausto Pinato (PP-SP), afirmou que o chefe do Itamaraty é visto como um obstáculo para o país na busca por insumos e vacinas contra a Covid-19.