O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou, nesta quarta-feira, 20, que um escritório do governo paulista na China está negociando a liberação dos insumos necessários para a produção da CoronaVac. O impasse afeta a fabricação de mais doses do imunizante desenvolvido no Instituto Butantan. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes. A vacinação foi iniciada no domingo, 17, pouco depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar o uso emergencial das vacinas – o Brasil possui apenas 6 milhões de doses da CoronaVac.

“O escritório do governo de São Paulo em Xangai abriu novos entendimentos com autoridades da China para a liberação dos insumos da vacina do Butantan”, disse Doria. O tucano também explicou que o diretor-geral do escritório, José Mario Antunes, está no país asiático acompanhando de perto os trâmites do processo de envio dos insumos ao Brasil. “Nosso diretor-geral da nossa unidade da China está em Pequim acompanhando a liberação de insumos para a vacina do Butantan”, complementou o governador de São Paulo.

Na tarde desta quarta-feira, Doria reforçou a informação em seu perfil no Twitter. “O escritório de São Paulo em Xangai, na China, está atuando diretamente junto a autoridades chinesas e equipes do laboratório Sinovac p/ liberação dos insumos necessários à produção de mais doses da vacina do Butantan em SP. Agilizar esse processo é fundamental para salvar vidas”, diz a publicação.

Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas afirmou que a previsão da instituição é que o lote de matéria-prima chegue ao Brasil até o final de janeiro. “Nossa previsão de chegada, como mencionei, é de que 5,4 mil litros cheguem até o fim desse mês. E mais 5,6 mil litros até o dia 10 de fevereiro. Essa matéria-prima está pronta e aguardando trâmite burocrático”, explicou. Além das 6 milhões de doses distribuídas aos 26 estados e ao Distrito Federal, o Instituto Butantan possui mais 4,8 milhões de doses prontas para uso. As autoridades aguardam um novo aval da Anvisa sobre o uso emergencial do imunizante.

Como a Jovem Pan mostrou, Doria é um dos signatários de um ofício protocolado pelos governadores nesta quarta-feira, 20. O documento pede ao presidente Jair Bolsonaro “diálogo diplomático” com China e Índia visando “assegurar a continuidade do processo de imunização no país”. “Os governadores dos Entes Federados brasileiros que subscrevem este expediente dirigem-se a Vossa Excelência a fim de tratar da premente necessidade de manutenção do fornecimento externo dos insumos empregos na produção de vacinas contra a Covid-19 no Brasil. Nesse sentido, solicitam a essa Presidência que seja avaliada a possibilidade de estabelecimento de diálogo diplomático com os governos dos países provedores dos referidos insumos, sobretudo China e Índia, para assegura a continuidade do processo de imunização no país”, diz o texto.