Após o período de recesso parlamentar, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) volta a funcionar a partir desta segunda-feira, 01. A primeiro reunião do Conselho de Ética da Casa deve acontecer na próxima quarta-feira, com o objetivo de discutir o caso de importunação sexual contra o deputado Fernando Cury, flagrado passando a mão no seio da colega Isa Penna no plenário da Alesp. A presidente do Conselho de Ética, Maria Lúcia Amary, diz que pretende dar celeridade ao caso para não aumentar ainda mais a repercussão negativa do caso. “Dentro do regimento que permite que nos faculta as medidas que devem ser adotas, eu espero que dentro desse processo tenhamos um prazo de no máximo dois meses estar resolvida essa questão. Agora, não estou falando nas intercorrências que eventualmente possam ocorrer por conta de decisões judiciais”, disse.

Com o retorno das atividades na Alesp, o advogado do deputado irá receber a notificação sobre a instauração do processo e terá o prazo de cinco dias para apresentar a defesa que será analisada pelo Conselho de Ética. Cury pode ser absolvido, receber uma advertência, suspensão e até mesmo a cassação definitiva. Entre as estratégias estudadas pela defesa está questionar a tese de importunação sexual e de assédio, além de demonstrar o trabalho do deputado na Casa. Segundo o advogado Roberto Delmanto, a intenção não é colocar em risco a integridade do vídeo e sim determinar a posição exata de Cury. A deputada Isa Penna fez críticas à argumentação e pede a cassação do mandato. “Então vamos determinar que abaixo a polegada ou onde ele encostou. Eu fui assediada, foi tudo tão rápido que eu tirei a mão dele muito rapidamente, como mostra no vídeo, mas o comportamento e a conduta dele é muito bem conhecida pelas mulheres”, afirmou.

Apesar das imagens fortes, a deputada Maria Lúcia Amary disse que todos tem direito de defesa e disse que o flagrante se trata se um caso isolado na Alesp. A presidente do Conselho de Ética disse que a preocupação é garantir que nenhum viés partidário atrapalhe as investigações. “Tenho que ter a imparcialidade necessária para que possa julgar sem nenhum tipo de tendência e com certeza espero que todos os meus pares, que a gente possa fazer um julgamento adequado para que a Justiça seja feita e esse erro, se efetivamente ficar comprovado, que esse erro seja sanado de sorte a punir de forma que a lei permite”, afirmou. O relator, que ainda será definido pela presente, terá que ouvir ambas as alegações e apresentar um parecer, que será votado pelos nove membros do Conselho de Ética. Se a cassação do mandato for aprovado pela Comissão, o caso será levado para votação nominal em plenário.

*Com informações da repórter Caterina Achutti