O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu anular as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Operação Lava-Jato, fazendo com que ele fique elegível na disputa pela Presidência da República em 2022. A decisão repercutiu na tarde desta segunda-feira, 8, com diversas figuras políticas se manifestando a favor e contra a determinação. Dentre os nomes que emitiram suas opiniões, está o de Deltan Dallagnol, ex-coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, que alertou para o risco de prescrição dos casos em que Lula está envolvido. Através de seu perfil no Twitter, o procurador disse que “Processos envolvendo o ex-presidente serão retomados em breve em Brasília, mas com reais chances de prescrição. Várias questões serão rediscutidas nos tribunais. Nada disso, contudo, apaga a consistência dos fatos e provas”, disse Dallagnol, que continuou, dizendo que “caberá ao Judiciário a última palavra” sobre o processo

Na publicação, Dallagnol também disse que o Brasil está vivendo “amplos retrocessos” no combate à corrupção, citando o fim da prisão em 2ª instância e a alteração de regras que dificultam a investigação e condenação de parlamentares. “Precisamos discutir essas amplas mudanças em curso (e aqui não falo mais do caso concreto) para decidir se queremos ser o país da impunidade e da corrupção, que corre o risco de retroceder vinte anos no combate a esse mal, ou um país democrático em que impere a lei”, afirmou o ex-coordenador da força-tarefa. Além disso, o procurador afirmou que houve “uma expansão gradativa do entendimento do STF de que os casos da Lava Jato deveriam ser redistribuídos pelo país”, e que, Edson Fachin aplicou esse entendimento ao tomar a decisão, dizendo que o ministro foi “coerente e apartidário”.