Provável relator da CPI da Covid-19, que será instalada na terça-feira, 27, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) se declarou parcial para tratar qualquer tema da comissão que envolva o Estado de Alagoas, onde seu filho é governador. A informação foi divulgada pelo parlamentar em seu perfil nas redes sociais, na tarde desta sexta-feira, 23. “Desde já me declaro parcial para tratar qualquer tema na CPI que envolva Alagoas. Não relatarei ou votarei. Não há sequer indícios quanto ao estado, mas a minha suspeição antecipada é decisão de foro íntimo”, escreveu. O emedebista deve ser escolhido para um dos cargos mais importantes da comissão, a relatoria, em razão de um acordo costurado pela maioria dos integrantes do colegiado – pelo entendimento firmado, Omar Aziz (PSD-AM) será o presidente e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento para a instalação da CPI, o vice-presidente.

A decisão de Calheiros ocorre na mesma semana em que parlamentares bolsonaristas encamparam um movimento na tentativa de impedi-lo de assumir a relatoria da CPI, que irá apurar as ações e omissões do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus. Como a Jovem Pan mostrou, a deputada Carla Zambelli iniciou uma campanha com a hashtag #RenanSuspeito – a parlamentar, uma das integrantes da tropa de choque do presidente Jair Bolsonaro no Congresso, também entrou com uma ação na Justiça para tentar impedir a indicação do emedebista, ex-presidente do Senado. “O princípio da suspeição do juízo é clara: Renan Calheiros não pode ser relator da CPI da Covid-19. Tendo em vista que é pai de um Governador, também, objeto de investigação da CPI. Considerando que a CPI em tese é um juízo investigativo, é oportuno atribuir o princípio da suspeição do juízo para coibir que a relatoria seja dada ao Sen. Renan Calheiros. Entrarei com uma ação por meio nosso mandato parlamentar, questionando este conflito de interesses”, escreveu em seu perfil no Twitter o ex-ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, deputado federal pelo PSL de Minas Gerais.

Crítico ferrenho da condução do governo do presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia do novo coronavírus, Renan Calheiros é visto como um opositor do Palácio do Planalto, que trabalhou para evitar que ex-presidente do Senado ocupasse um posto de destaque na cúpula da CPI. Apesar da pressão de aliados no Congresso, o governo federal buscou uma aproximação com o ex-presidente nesta semana, segundo relatou à Jovem Pan um auxiliar do presidente da República.