A corregedoria do Ministério Público Federal (MPF) abriu uma sindicância para apurar a cooperação entre integrantes da Operação Lava Jato em Curitiba com autoridades internacionais. A apuração foi instaurada no dia 16 e tornada pública nesta quarta-feira, 28. Segundo a subprocuradora Elizeta Maria de Paiva Ramos, corregedora-geral do MPF, a sindicância visa esclarecer se houve irregularidades na conversa entre a Lava Jato e as autoridades estrangeiras, verificando se os procedimentos seguiram as regras. A defesa do ex-presidente Lula acusa a Lava Jato de ter realizado tratativas informais para conseguir informações com autoridades americanas e suíças nas negociações do acordo de leniência da Odebrecht, alegando que a colaboração aconteceu fora dos meios convencionais. Os procuradores, por sua vez, negam.

Para Elizeta, a acusação da defesa do petista provocou uma dúvida que precisa ser esclarecida. “Há dúvida razoável decorrente diferentes versões apresentadas entre as autoridades envolvidas, do lado ministerial, e da defesa técnica do polo ativo da Reclamação 43.007, e cuja explicação e compreensão não foram possíveis, segundo constaram os próprios membros lavajatistas, tendo em vista determinadas regras processuais que, até o momento, não os teriam possibilitado fazê-lo”, afirmou. À corregedoria, a força-tarefa disse que nunca usou documentos ou informações que não foram obtidos por canais oficiais. O comunicado da abertura de sindicância foi apresentado ao ministro Ricardo Lewandowski na ação que garantiu à defesa do ex-presidente Lula acesso às mensagens hackeadas da Lava Jato. O ministro pediu esclarecimentos à PGR se houve irregularidades nas tratativas com autoridades estrangeiras envolvendo o acordo de leniência da Odebrecht.

*Com informações do Estadão Conteúdo