O Brasil precisa pensar em métodos alternativos de voto. Essa é a avaliação da coordenadora da Transparência Eleitoral Brasil, Ana Claudia Santano. Segundo ela, a pandemia do coronavírus mostrou que o Brasil é dependente da eleição presencial e essa pode não ser a última situação de emergência que o país vai viver. “A gente pode ter a situação do Amapá, algum desastre natural. A gente pode ter vários eventos que de fato sejam disruptivos para realização de eleições. Só que eu julgo que democracia é uma atividade essencial e a gente não pode se submeter a não votar.”

Por essas razões, Ana Claudia disse aprovar iniciativas como o projeto Eleições do Futuro, realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No primeiro turno das eleições, em 15 de novembro, 26 empresas selecionadas demonstraram propostas de inovação para o sistema eletrônico. As propostas das empresas que se inscreveram devem preencher pelo menos três requisitos: segurança da votação, proteção ao sigilo do voto e eficiência. De acordo com a coordenadora da Transparência Eleitoral Brasil, que acompanhou as demonstrações em Curitiba, a maior parte dos projetos dependiam do uso da internet. Os projetos incluíam ideias que iam desde aplicativos para votar até um sistema híbrido, com voto presencial e online.

Ana Claudia Santano disse que, para pensar nas eleições do futuro, é preciso deixar alguns preconceitos de lado. “A gente precisa se desarmar de qualquer alegação de que nada vai funcionar, de que nada serve, de que isso é serve, de que isso vulnera o segredo do voto. A gente precisa se desarmar e pensar coletivamente em uma solução como essa”, afirma. Ana Claudia Santano ressalta que as propostas apresentadas no primeiro turno das eleições serão avaliadas pelo Tribunal Superior Eleitoral e precisam comprovar segurança. Ela lembra também que qualquer iniciativa precisa ser adaptada à realidade brasileira, em quase quarenta e seis milhões de pessoas ainda não têm acesso à internet, segundo o IBGE.

*Com informações da repórter Nicole Fusco