O candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, acredita que uma onda de esperança e de mudança paira sobre a cidade nessas eleições municipais. “Fui para o segundo turno com 17 segundos de propaganda contra quase 4 minutos de Bruno Covas. Conseguimos ter mais de um milhão de votos. Apenas 30% da cidade votou pela continuidade do governo Doria e Covas. Nem todos votaram em mim, mas as urnas mostraram que 70% não querem mais”, disse. Boulos lembrou que Bruno Covas foi vice do governador João Doria e só assumiu o cargo porque Doria “abandonou a cidade”. Boulos ressaltou que mora no Campo Limpo e que, para ele, a periferia não é um número ou um lugar que político visita a cada 4 anos, come pastel, abraça criancinha e faz promessa falsa. “É a realidade que eu vivo e vai ser o centro do meu governo.”

Para Guilherme Boulos, o discurso de “radicalismo” que o candidato Bruno Covas usa contra ele revela desespero. “Ele achou que a eleição estava ganha, entrou de salto alto. Quando viu que tivemos uma porcentagem expressiva e ele teve menos do que as pesquisas apontavam, ele agiu com cerca raiva. O discurso pós-apuração foi com muita raiva”, justificou. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Boulos atribuiu outro significado ao termo. “Radicalismo não é lutar para que as pessoas tenham moradia com dignidade, a causa que me dedico com orgulho há 20 anos. Não é lutar por direitos sociais, desigualdade. Radicalismo é a cidade mais rica da América Latina revirar o lixo para comer e ter tanta gente morando nas ruas. Uma desigualdade histórica e que foi aprofundada por um governo elitista que governa de costas para a periferia.”

Questionado sobre ser socialista ou comunista, o candidato disse estar em combate às injustiças sociais. “Não aceito que a nossa cidade e o nosso país tenha esse nível de desigualdade, esse abismo que temos. Lutar para que as pessoas tenham casa, que o Estado cumpra seu dever de garantir saúde e educação pública. Isso para mim é um princípio”, avaliou. Para isso, ele tem como centro do plano de governo a meta de inverter prioridades. “É isso que podem esperar do meu governo. O orçamento não vai manter privilégios e nem fazer reformas faraônicas enquanto tem fila no hospital por falta de médico, falta de respiradores, mulheres que não podem trabalhar porque não tem vaga na creche para deixar o filho. Vou fazer com que o orçamento vá para as periferias.”

Boulos pretende divulgar na quarta-feira (18) uma frente ampla por justiça social em São Paulo em defesa da democracia, que vai ajudar a impulsionar sua campanha para o segundo turno. Apesar de não dar detalhes, ele garantiu que vai conter “partidos políticos, lideranças e movimentos sociais. Estamos conversando com muita gente que não quer que São Paulo continua na mão de João Doria“. O candidato explicou sua política para moradias, muito alfinetada pela oposição. “Quem anda por São Paulo vê uma situação de descaso e abandono. Milhares de imóveis abandonados que devem mais IPTU que o valor do imóvel. O Estatuto da Cidade e o Plano Diretor do Município determina que esses lugares deveriam ser desapropriados para virar moradia popular. Não sou eu que estou falando. Mas os governos não cumprem para não contrariar as empreiteiras e a especulação imobiliária, que muitas vezes financiam campanhas.”