O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que não quis provocar ninguém ao divulgar os valores que teriam sido repassados do governo federal para os estados ao longo de 2020. A iniciativa fez com que 19 governadores, dentre eles aliados do presidente como Ronaldo Caiado (DEM), de Goiás, e Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, assinassem uma carta contestando as informações. Segundo o documento, os recursos efetivamente repassados para a área da Saúde são uma quantia absolutamente minoritária dentro do montante publicado pelo presidente da República. Os governadores argumentam que os dados divulgados pelo governo são distorcidos, porque englobam repasses obrigatórios, determinados pela Constituição Federal e que estão previstos pelo Pacto Federativo. Na carta, os comandantes estaduais dizem ainda que estão preocupados com a utilização pelo governo federal de comunicação oficial, custeados por dinheiro público, a fim de produzir informação distorcida, gerar interpretações equivocadas e atacar governos locais. Mas, de acordo com Bolsonaro, os dados publicados são verdadeiros.

“É o bruto que receberam. As transferências diretas, indiretas, auxílio emergencial… valor bruto. Os dados foram reunidos pela Secom. O Fabio Faria, que é ministro, divulgou. E é uma verdade que está ali, nada mais além disso. Tem muita gente reclamando da exposição… alguns governadores pedindo mais recurso”, disse Bolsonaro em conversa com apoiadores. O presidente Bolsonaro voltou a criticar na terça-feira, 2, as medidas de isolamento, que vem sendo impostas por governadores e prefeitos, para conter o avanço da pandemia do coronavírus. Ele citou o Conselho Estadual de Medicina do Distrito Federal, que, em uma nota divulgada na segunda-feira, 1º, se posicionou contra o fechamento de comércios, bares e restaurantes determinado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). A questão é que o órgão justifica a postura a partir de uma entrevista em que o funcionário da Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou, em outubro de 2020, os impactos econômicos e sociais negativos dos lockdowns. Na mesma entrevista, no entanto, o mesmo funcionário deixa claro que o fechamento de atividades se justifica, sim, em momentos de crise, justamente para reorganizar os sistemas de saúde e proteger os profissionais que estão na linha de frente do combate à doença.

*Com informações do repórter Antônio Maldonado