Arthur Lira (PP-AL) é o novo presidente da Câmara dos Deputados. O líder do PP superou Baleia Rossi (MDB-SP) e outros sete candidatos, conquistou 302 votos e será o sucessor de Rodrigo Maia (DEM-RJ) no comando da Casa. O emedebista obteve 145 votos. O resultado oficial foi divulgado às 22:59. O resultado confirma a previsão de aliados de Lira, que estimavam uma vitória em primeiro turno com cerca de 280 votos.

Em seu discurso na tribuna, antes da votação, Lira fez diversas críticas a Rodrigo Maia e prometeu fazer da Casa “a Câmara do nós”. “Tendo em vista a representatividade deste plenário, coloquei desde o início como questão fundamental que os votos depositados nesta Casa não podem ser subalternos à vontade de apenas um. A Câmara tem que ser de todos. Não pode continuar sendo a Câmara do ‘eu’. Foi o que preguei em todos os estados da Federação que visitei. A Câmara tem que ser do ‘nós’. Não é slogan ou frase de efeito. É o espírito de nosso regimento”, disse. “Olhem para a cadeira da presidência. Por acaso há ali um trono? Não. Ao lado do presidente há outras cadeiras. Tudo nesta casa tem a marca do coletivo. O indivíduo não existe em relação à instituição. Em respeito às dezenas de milhões de votos que vossas excelências representam, temos que dar voz a todos os deputados e deputadas. Por isso temos que tirar o superpoder da presidência, como foi nos últimos anos, e devolver o superpoder para seu único e legítimo dono: o plenário da Câmara”, acrescentou sob aplausos e gritos de “Lira, Lira”.

Como antecipado pela Jovem Pan, a candidatura de Arthur Lira foi oficializada pelo Progressistas no dia 1º de dezembro de 2020, em uma reunião que contou com a presença de cerca de 40 parlamentares, entre eles o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), e o presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PP-PI). Baleia Rossi, por sua vez, foi anunciado por Rodrigo Maia (DEM-RJ) para sucedê-lo no dia 23 de dezembro. O emedebista disputava a preferência de Maia com os deputados Elmar Nascimento (DEM-BA), Marcelo Ramos (PL-AM), Marcos Pereira (Republicanos-SP), Luciano Bivar (PSL-PE) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). A indefinição do grupo do atual presidente da Casa deu a Lira a vantagem na articulação.

Na reta final de campanha, Baleia Rossi sofreu com dissidências. Aliados de Lira monitoravam divisões em partidos como PSL, PSB, Solidariedade, DEM e PSDB. Na véspera da eleição, a Executiva Nacional do DEM, partido de Maia, desembarcou do bloco de Rossi e optou pela neutralidade. Além disso, segundo apurou a Jovem Pan, a permanência do PSDB só ocorreu após caciques tucanos, como o governador de São Paulo, João Doria, entrarem em cena para conter a debandada.