Os dois principais candidatos à presidência da Câmara dos Deputados admitem dificuldades para implantar as reformas política e eleitoral. As resistências de parlamentares no Congresso Nacional sempre dificultaram as discussões em torno dos temas e as mudanças no financiamento das campanhas e a redução do número de partidos desagradam a classe. O candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), deputado Arthur Lira (PP), avalia que a política precisa ser mais previsível no Brasil. “Essa flexibilidade da legislação não dá segurança. Então a nossa proposta é que comecemos por uma comissão de juristas, de representantes de cada estado, de deputados voltados para fazer essa discussão com seriedade, para que a gente possa sistematizar o código de processo eleitoral para que tenhamos um código único, reto, com legislação clara. E a partir daí possa voltarmos a discutir, sem laboratórios, uma forma que a gente faça da política previsível nesta casa”, disse. Ele cita ainda a necessidade de discutir punições mais rígidas para o Caixa Dois eleitoral.

Enquanto isso, o principal oponente de Lira, o emedebista Baleia Rossi, defende uma Comissão Especial para buscar consensos. “Podemos sim implementar uma Comissão Especial para que esses temas sejam debatidos e para que a gente tenha, minimamente, mudanças que visam melhorar o sistema e que sejam consensuais. Não adianta debater, debater, debater e não ter maioria na Câmara”, afirmou. Os principais candidatos à presidência da Casa sabem, no entanto, que dificilmente o número de partidos no Brasil será reduzido. O país tem mais de 30 legendas e os políticos, como o presidente da República, tentam criar novas siglas.

*Com informações da repórter Camila Yunes