Nesta terça-feira, 9, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que pediu à cúpula do partido o afastamento do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG). Se depender da bancada do partido na Câmara dos Deputados, porém, isso não vai ocorrer. É o que afirma o líder da sigla na Casa, deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB-MG), aliado de Neves. “Como filiado ao PSDB de longa data e, agora, como líder, acompanho a trajetória do deputado Aécio Neves, que tem o meu respeito, experiência valiosa e contribuições importantes à bancada. Seu afastamento do PSDB já foi objeto de deliberação da Executiva Nacional e, assim, essa discussão não é sequer cogitada no âmbito da bancada federal”, disse em nota enviada à Jovem Pan.

Em coletiva de imprensa, quando anunciou a ampliação de estações de metrô na capital paulista, Doria afirmou que tratou sobre o afastamento de Aécio em uma reunião com correligionários na noite desta segunda, no Palácio dos Bandeirantes. Um aliado do governador, ouvido pela reportagem sob a condição de anonimato, atribui ao ex-senador mineiro a articulação responsável pela aproximação de parte da bancada do PSDB na Câmara com Arthur Lira (PP-AL), eleito presidente da Casa no dia 1º de fevereiro – o expoente do Centrão venceu Baleia Rossi (MDB-SP) por 302 votos a 145.

“Pedi o afastamento [de Aécio Neves]”, afirmou João Doria. “Entendo que o PSDB não deve abrir espaços para comportamentos desse tipo. O PSDB é um partido com direcionamento e com uma posição, embora possa ter discussões, debates, isso faz parte do processo de qualquer partido, mas você não pode ter dissidências em um partido que se posiciona com clareza a favor da vida, em defesa da democracia, da saúde e do meio ambiente. E deputados e senadores defendendo o oposto. Isto não é partido. Então aqueles que tenham pensamento distinto que tenham dignidade e coragem e peçam pra sair. Se tiverem coragem que saiam. É a atitude que se espera de alguém com o mínimo de dignidade. É o que se espera de um parlamentar, que foi eleito pelo voto popular. Então respeite o voto e a democracia e saia”, acrescentou.

Réu por corrupção e obstrução à Justiça, Aécio Neves é acusado de receber R$ 2 milhões em propina do empresário Joesley Batista. Em agosto de 2019, a Executiva Nacional do PSDB rejeitou o pedido de expulsão do parlamentar. Candidato do partido à Presidência da República em 2014, Neves se livrou da punição por 33 votos a seu favor e apenas três contra. Relator do caso, o deputado Celso Sabino (PSDB-PA) é aliado de Arthur Lira na Câmara dos Deputados e, à época, foi contrário à expulsão do mineiro.