A Vale deve assinar nesta quinta-feira, 4, um acordo com o Ministério Público Federal e com governo, promotoria e Defensoria Pública de Minas Gerais para reparar danos coletivos causados à sociedade e ao Estado pelo rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em janeiro de 2018. O valor ainda não foi divulgado oficialmente, mas fontes ligadas às conversas dizem que chega a R$ 37 bilhões, abaixo dos R$ 55 bilhões pedidos inicialmente. O dinheiro deve ser investido na construção de hospitais, reformas de estradas, obras hídricas e também em auxílio emergencial para 110 mil pessoas afetadas pela tragédia.

As negociações não envolvem indenizações individuais ou ações na justiça. Vagner Diniz, que perdeu os enteados Camila e Luiz Taliberti no desastre e coordena um instituto criado para homenagear os irmãos junto com a mulher, se diz indignado com o acordo. “Nos deixa muito indignados que o governo de MG queira usar esse dinheiro para fazer Rodoanel, escolas e hospitais. Ainda que haja grande mérito, isso tem que ser feito com dinheiro público e não com o que é devido aos parentes das vítimas de Brumadinho.” Vagner afirma ainda que a tragédia não foi um acidente, mas um conjunto de negligências — e espera a responsabilização dos envolvidos.

Atamaio Ferreira também perdeu um familiar e culpa a mineradora. “A Vale ela destroçou não só a minha família, mas inúmeras e a vida de muita gente. A gente não sorri, a gente engana a tristeza.” A tragédia de Brumadinho deixou 272 mortos. Onze pessoas ainda não foram encontradas. Natalia de Oliveira ainda tem esperança de achar o corpo da irmã. “Essa busca que eu faço pela Lecilda eu peço todos os dias, a gente reza pelo encontro de todos.” Com a notícia do acordo, as ações da Vale subiram subiram 4,3% nesta quarta-feira.

*Com informações da repórter Camila Yunes