O governo de estado de São Paulo escalou o ex-presidente Michel Temer (MDB) para interceder nas tratativas com autoridades chinesas na liberação de insumos para a produção da CoronaVac em território nacional. Temer entrou em contato na terça-feira, 19, com o ex-embaixador da China, Li Jinzhang, com quem mantém boas relações do tempo que ocupava o Palácio da Alvorada. O pedido do governo paulista foi confirmado por Antonio Imbassahy, secretário especial e chefe do escritório de representação do estado em Brasília. Atualmente, Li Jinzhang trabalha na sede do governo chinês e tem acesso ao presidente Xi Jinping. Durante a conversa, feita em espanhol, o ex-presidente buscou lembrar as boas relações que o Brasil sempre teve com os chineses. “O ex-embaixador se mostrou bastante sensibilizado e interessado em fazer uma ação dentro do governo, inclusive com o próprio presidente Xi Jinping”, afirma Imbassahy.

Escalar Temer foi ideia de um empresário paulista devido ao bom desempenho do ex-presidente em manter a exportação de proteína animal para a China após a Operação Carne Fraca, em 2017. A ação da Polícia Federal revelou um esquema de adulteração de carne por parte dos principais produtores do Brasil. Autoridades do governo paulista classificaram o contato como positivo, apesar de não haver prazo para a liberação dos insumos. “A causa é nobre, e evidentemente temos que dar tempo para que haja um retorno. Temos que aguardar os movimentos que o embaixador vai fazer, mas estamos muito confiantes”, diz o secretário especial. O governo do São Paulo também tenta interceder junto às autoridades chinesas através da sua representação no país asiático. “A relação do governo de São Paulo com a China é muito boa. Sempre tivermos um excelente relacionamento.”

Imbahassy também afirmou que o governo do estado mantém contato com a Sinovac, parceira do Instituto Butantan na produção do imunizante contra o novo coronavírus. Segundo o secretário, o laboratório chinês se comprometeu a entregar mais 11 milhões de doses para insumos, dividas em duas remessas de 5,5 milhões. Ainda não há previsão de quando os produtos desembarcam no Brasil. “Temos uma relação de confiança. Essa entrega pode ser a qualquer momento, mas depende de trâmites de natureza interna. Temos que ter respeito pela cultura de lá e dos protocolos. Não podemos fazer na pressão, mas sim no bom diálogo”, afirma. A continuidade da campanha de imunização brasileira está ameaçada pela falta de insumos para a produção em território nacional das vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O principal entrave é a importação da matéria-prima após a falta de entendimento entre autoridades brasileiras e produtores chineses. Nesta quarta, 16 governadores encaminharam um ofício pedindo que Bolsonaro adote um “diálogo diplomático” com Índia e China visando “assegurar a continuidade do processo de imunização no país.” O governo federal também reagiu e afirmou que “vem tratando com seriedade todas as questões referentes ao fornecimento de insumos farmacêuticos para produção de vacinas (IFA)” e ressaltou que é “o único interlocutor oficial com o governo chinês.”