Centro cultural da América Latina. É assim que a cidade de São Paulo é conhecida mundialmente — e não é à toa. São mais de 150 museus, cerca de 300 salas de cinema, 130 teatros, além de uma centena de centros culturais. A capital paulista já sofreu inúmeras transformações ao longo de seus quase 467 anos, mas talvez nenhuma delas tenha sido tão repentina e impactante quanto a provocada pela Covid-19. Os atores tiveram que trocar o palco pela sala de casa, os ensaios por teleconferências e a plateia por uma câmera. Tudo isso para que os espectadores pudessem continuar consumindo arte, mesmo que do sofá da sala.

O ator e diretor Reginaldo Nascimento conta que, no começo da pandemia, foi difícil se adaptar, mas agora enxerga que a mudança teve seu lado positivo. “A gente briga muito que no teatro só cabem 50 pessoas. Mas se a transmissão estiver acontecendo ao vivo, para todo mundo, talvez caibam 5 mil. Eu fico pensando nisso, no alcance que essa possibilidade pode gerar.” Já na avaliação do editor Alex Giostri, a migração do teatro para o online não substitui a peça presencial. “Acredito que ela veio para ampliar. Ela fica. Mas eu acredito que ela fique como um a mais, nunca como uma substituição.”

A pandemia do coronavírus também trouxe de volta para a cidade de São Paulo um jeito antigo de assistir a filmes. O cinema drive-in ressurgiu graças a uma parceria do Memorial da América Latina com o Petra Belas Artes. A nutricionista Estefania Calabria Fakri e os dois filhos dela foram alguns dos espectadores. “A Covid-19 pode aparecer a qualquer momento, ninguém está 100% seguro em qualquer lugar. Mas, dentro do possível, eu nem lembrei da Covid lá e os meus filhos se divertiram muito mesmo”, disse. Como a capital paulista está na Fase 3 – Amarela do Plano São Paulo, teatros e cinemas podem abrir por até 10h com capacidade de 40% do público.

*Com informações da repórter Nicole Fusco