Solidariedade. Essa é uma palavra que pode descrever quem nasceu ou quem veio morar em São Paulo. A capital paulista foi a cidade que teve mais doações durante a pandemia da Covid-19, segundo o Monitor das Doações. Historicamente, São Paulo e outros municípios da região sudeste do país são os que mais doam. Eles concentram 43% de todos os doadores do país, como mostra o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.

A presidente do Idis, Paula Fabiani, explica que as características da cidade, como número de habitantes, influencia na forma como o paulistano ajuda o próximo. “O paulistano, a pessoa que vive em São Paulo, uma cidade hostil, difícil, faz prática de solidariedade de outras formas. Não necessariamente ajudando vizinho, numa prática comunitária, como a gente vê em regiões que têm população menor.” Fabiani diz, ainda, que os migrantes e imigrantes que moram em São Paulo tendem a ser mais solidários. “Acho que tem pessoas que abraçam e passam a amar a cidade de São Paulo com o mesmo carinho de pessoas que nasceram aqui e passaram a vida inteira aqui. E essas pessoas acabam se envolvendo mais.”

É o caso do sírio Talal Al-tinawi, que chegou a São Paulo em 2013, depois de fugir da guerra civil que assola o país de origem dele. Na fase mais rígida da quarentena na capital paulista, ele doou cerca de 300 marmitas para idosos. “Quando cheguei aqui, o brasileiro me recebeu muito bem. Então, eu pensei em fazer uma coisa para, não sei que nome, dar para o brasileiro o que ele me deu antes”, disse. Ele quis retribuir o que o Brasil fez por ele. Em tempos de pandemia e do fim do auxílio emergencial, a doação vai ser a única forma de muitos brasileiros sobreviverem.

*Com informações da repórter Nicole Fusco