Os professores da rede estadual de São Paulo decidiram, nesta sexta-feira, 5, entrar em greve contra a volta às aulas presenciais, previstas para a segunda-feira, 8, em meio à segunda onda da Covid-19. De acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do estado de São Paulo (Apeoesp), 81,8% dos docentes foram favoráveis à manutenção do ensino remoto. Segundo o governo João Doria (PSDB), as escolas estaduais poderão iniciar as aulas com apenas 35% da capacidade. “A partir desta segunda-feira (8), os 3,3 milhões de alunos da rede estadual de São Paulo estão autorizados a retomar as aulas presenciais, em sistema de rodízio, e iniciar o ano letivo de 2021. Nos municípios classificados nas fases vermelha ou laranja do Plano SP, haverá a presença limitada de até 35% dos alunos matriculados. Na fase amarela, o limite é de 70% dos estudantes; e na etapa verde, é admitida a presença de 100% dos alunos matriculados”, diz o governo paulista em nota.

A categoria defende que as escolas só sejam reabertas quando os profissionais da educação forem vacinados. Para a Apeoesp, as escolas também não possuem condições sanitárias de receber os estudantes. O sindicato também realizou um levantamento que aponta 147 casos de contaminação em unidades que tiveram atividades presenciais. Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, o secretário de Educação do governo de São Paulo, Rossieli Soares, afirmou que as escolas estão preparadas para receber os alunos e destacar que não houve nenhum caso de transmissão registrado desde o início das atividades extracurriculares nas unidades de ensino. “Desde junho [de 2020] estou dedicado a dizer que temos condições de voltar, mas não normalmente, com ambiente controlado, com distanciamento. Voltar às aulas, sim, porque é insubstituível, mas com segurança. Em 8 de setembro [de 2020] começamos as atividades extracurriculares na rede de ensino, 2 milhões de alunos passaram pelas escolas e não tivemos nenhum caso de transmissão”, disse.

Em um boletim divulgado no site da Apeoesp, o sindicato afirma que realizará atos e manifestações ao longo da próxima semana. “No desenvolvimento da greve, realizaremos ações virtuais durante a semana de 8 a 12/2, ao mesmo tempo em que denunciaremos o assédio moral e opressões da SEDUC (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) sobre os professores”, diz o texto. A categoria também afirma que pretende viralizar a hashtag #ProfessoresEmGrevePelaVida nas redes sociais e veicular matérias pagas na televisão para prestar esclarecimentos à sociedade.