As operadoras de telefonia foram incisivas na audiência pública promovida pela Câmara dos Deputados na quarta-feira, 10, sobre o edital do leilão da tecnologia 5G no Brasil. As teles atacaram ao menos duas exigências propostas pelo texto. Segundo as empresas, o investimento exigido pelo governo é de cerca de R$ 6 bilhões. O edital pede a construção de rede fechada para o governo, instalação de fibra óptica na Amazônia e deslocamento de satélites para evitar interferência com a TV aberta. Os investimentos são tratados como contrapartidas por pagarem menos nas licenças, mas as empresas asseguram que as exigências são indevidas por não terem relação com as redes 5G. Marcos Ferrari, presidente da Conexis, trouxe questões que demonstram preocupação sobre o edital. “O cálculo tem que ser muito bem exato, para que a gente possa universalizar o 5G. Se não houve clareza do que exatamente se quer, a gente pode ter menos recursos para investir.”

As teles também se posicionaram contrariamente a construção de uma rede para o governo Bolsonaro. Isso porque proibidas, como empresa de capital aberto, de investir em estrutura que seria entregue para o concorrente — a Telebras, que passaria a gerenciar a rede governamental. A questão foi levantada pelo vice-presidente de Relações Institucionais da Claro, Fábio Andrade. “Essa rede não pode ser construída pelas empresas. Essa obrigação, se for acrescentar no leilão, tem que ser debitada do preço e licitada pelo governo para quem quiser construir. Do jeito que está modelado hoje, nós empresas teríamos que construir uma rede privativa que será operado pela Telebras.” Diante de tantas controversas, o presidente da Anatel pediu vista e paralisou a votação até 24 de fevereiro.

*Com informações do repórter Fernando Martins