O governo de Rondônia é suspeito de fraudar relatórios diários de ocupação em hospitais com pacientes da Covid-19. O Ministério Público do estado abriu um inquérito nesta terça-feira, 26, para investigar o caso. De acordo com o MP, as autoridades incluíram no relatório 30 leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) e 23 leitos clínicos do hospital de campanha da zona Leste, que estava fechado desde outubro. O objetivo do governo seria evitar que, com superlotação dos hospitais, o estado tivesse que decretar medidas de isolamento social mais rígidas no combate à pandemia.

Segundo a investigação, relatório do dia 6 de janeiro aponta que 44 leitos de UTI estavam disponíveis. Isso indicava uma ocupação de 67,5%. Quando os dados foram corrigidos, dois dias depois, apenas 20 leitos estavam, de fato, vagos, o que elevou a taxa de ocupação para 87,5%. Outra informação chamou a atenção dos promotores, no dia 20 de janeiro, o relatório aponta a existência de 14 vagas de UTI. No entanto, menos de 24 horas depois, 39 pacientes estavam na fila aguardando vagas nas unidades de terapia intensiva. No dia 22, o prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves (PSDB), anunciou que os sistemas de saúde municipal e estadual estavam em colapso.

*Com informações da repórter Nicole Fusco