A nova remessa de matéria-prima para a produção da CoronaVac já está no Aeroporto de Pequim, na China. A carga de 5,4 mil litros de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) deve chegar ao Estado de São Paulo na quarta-feira, 3. O montante permitirá a fabricação de mais 8,6 milhões doses da vacina contra a Covid-19 pelo Instituto Butantan. Um outro lote já está programado para chegar em fevereiro e, até o fim de abril, 46 milhões devem estar em solo brasileiro.

Segundo o infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, o Brasil pode receber, ainda em 2021, a quantidade de vacinas suficiente para imunizar toda a população elegível. O especialista calcula que serão necessárias cerca de 300 milhões de doses para os 150 milhões de brasileiros acima de 18 anos — já que ainda não há estudos dos imunizantes em menores de idade.

O número já está garantido pelos acordos firmados pelo país: há contratos para o recebimento de 100 milhões de unidades da CoronaVac, 200 milhões de Oxford e outros 42 milhões da aliança Covax Facility ainda neste ano. Segundo Renato Kfouri, o necessário agora é garantir que os acordos firmados sejam cumpridos. “Poucos países do mundo tem essa perspectiva: chegar no fim do ano com 100% da população elegível vacinada. Isso graças aos nossos institutos que trabalharam e firmaram parcerias para produzir localmente, ganhar autossuficiência. Enquanto isso, os insumos e vacinas prontas precisam ir chegando para o programa não ser interrompido.”

Neste fim de semana, a aliança Covax anunciou que deve enviar de 10 a 14 milhões de doses da vacina de Oxford ao Brasil a partir de fevereiro — esse seria o primeiro carregamento das 42 milhões prometidas. O presidente Jair Bolsonaro também sinalizou interesse na compra da Sputnik V, da Rússia, caso seja aprovada pela Anvisa. Outras farmacêuticas, como a Janssen, do grupo Johnson&Johnson, já demonstraram interesse em negociar com o Brasil.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini