Nesta quinta-feira, 28 de janeiro, é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo no Brasil. A data relembra morte de auditores fiscais e um motorista em Unaí, Minas Gerais, em 2004, enquanto trabalhavam na descoberta de práticas criminosas de relações de trabalho. No entanto, a situação de exploração em nosso país é muito anterior a essa data. Basta lembrar do passado escravagista no qual a sociedade brasileira foi moldada desde a época imperial. Ainda que muitos e muitos anos tenham passado, o trabalho escravo permanece como uma mazela no mundo, principalmente no Brasil. Isso é o que explica Mércia Silva, diretora do Instituto do Pacto Nacional Pela Erradicação do Trabalho Escravo (Inpacto).

“O Brasil teve um histórico de quase 400 anos de exploração de mão de obra escrava e a transição para uma economia capitalista não observou uma inclusão adequada dessa população. E isso sobrepôs a exclusão econômica com o racismo que a gente ainda vê na sociedade brasileira e também pelo mundo. Essas duas coisas andam juntas e continuam permitindo a exploração dessa pessoas ainda hoje, em cadeias produtivas.” E mesmo estando em 2021, não é difícil de encontrar exemplos onde ainda há uso de exploração humana como mão de obra, segundo a diretora do Inpacto. “A gente encontra isso em produção de carvão, na produção de cana de açúcar quando ela é manual, na colheita de laranja, de café em algumas situações, na produção de sisal, cacau. No fim, está perneado em quase todas as cadeias produtivas e chega na nossa casa, nos serviços prestados como domésticos.”

Isso mostra como o desafio é grande. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, mais de 40 milhões de pessoas foram submetidas à escravidão moderna em 2016 em todo o planeta. E a situação é ainda pior para as mulheres. De acordo com o estudo, 71% das vítimas são do sexo feminino, enquanto 29% são homens. Para Mércia Silva, os números seguem altos porque quem pratica esse crime ainda pensa na impunidade. E aqui no Brasil, ainda há falta de condições adequadas para fiscalizar as ações ilegais.

“Mas sempre vai ter alguém que acredita que tirar vantagem sobre o outro faz parte do jogo pessoal. Daquele jogo mesquinho de tirar vantagens, de ficar rico de forma ilícita e apostas na impunidade. Esse é um erro muito grande que o Brasil tem não só na questão do ambiente de trabalho, mas em vários outros lugares há a aposta na impunidade, lentidão e privilégio de ser uma elite intocada.” Para esse enfrentamento, muitos mecanismos estão sendo usados. O Inpacto lançou uma Campanha Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. A ideia é levar conhecimento sobre o tema para o público geral e também para empresas de todos os portes. É possível conhecer mais sobre a campanha e como ter acesso aos materiais, basta acessar o site do instituto: www.inpacto.org.br.

*Com informações do repórter Fernando Martins