O Gerente-Geral de Medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Mendes, criticou as mudanças aprovadas pelo Senado para a autorização de vacinas contra a Covid-19 para o uso emergencial. A principal mudança estabelece o prazo de cinco dias para que a agência autorize o uso de imunizantes que já foram aprovados em agências reguladoras de outros países. Ao comentar as alterações, Gustavo destacou que os técnicos da agência não concordaram com as mudanças. “Nós, como corpo técnico da agência estamos muito indignados com essa situação. Os prazos que nós definimos para as nossas ações são baseados nas nossas experiências e em contato com outras agências reguladoras, que, desde o início da pandemia, têm sido uma rede de suporte para decisões nesse sentido”, disse Gustavo, que continuou: “Nos nossos guias, nós colocamos o prazo mínimo de dez dias porque esse é o prazo par que a gente possa ter, com todo detalhe necessário, uma análise completa dessa situação”.

O gerente-geral também comentou sobre a sensibilidade da classe política em alterar questões técnicas relativas aos imunizantes, dizendo que as pessoas desconhecem a atuação da agência. “Acho que existe um pouco disso, um pouco de falta de conhecimento do que é a atuação da agência. Qual a importância de ter um órgão que não é político, que não é um órgão de governo, é um órgão de Estado”, afirmou Gustavo. Por fim, o gerente exaltou a Anvisa, dizendo que a agência é muito respeitada fora no meio. “Fora do Brasil, a Anvisa é reconhecida como uma agência muito forte. Em 2019, nós fomos aceitos nos principais fóruns de agências reguladoras internacionais e nós tentamos como membro-gestor para decidir os critérios para aprovar uma vacina”.