Profissionais se desdobrando e exaustos para tentar garantir um atendimento digno aos pacientes infectados pelo coronavírus em meio a um cenário caótico. “Confusa, desgastante e cansativa. De fato, o que traz algum conforto é ver a disposição dos colegas em trabalhar”, relata Joelma Cavalcante Ricardo, médica em Manaus, no Amazonas. A dolorosa rotina da profissional é a mesma dos milhares que trabalham na linha de frente de combate à Covid-19 no estado sem ter o mínimo de recursos para assegurar um tratamento que mantenha os doentes em condições de sobrevivência. A falta de oxigênio que tem horrorizado o país expõe o descaso em relação ao comprometimento de se investir adequadamente na área da saúde. Má gestão, desvios e corrupção são alguns fatores que levaram ao caos que derruba a assistência à população.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mário Vianna lamenta e diz que o panorama se assemelha a um beco sem saída. “Basta dizer que já estamos talvez no quinto ou sexto secretário de saúde em dois anos, sendo que pelo menos 50% deles já passaram pela prisão. Daí dá pra você ter um cenário do que é o sistema público de saúde do Amazonas“, explica. Esse cotidiano deixa trabalhadores da área médica esgotada, porque muitas vezes se veem frente a frente a uma dura encruzilhada, a missão de decidir quem vive dando prioridade a quem tem mais chances de sobreviver. A Joelma, que está no campo de batalha, desaba ao falar que o abalo extrapola o seu local de trabalho. “Eu saí de casa com meu marido com falta de ar. Eu não tenho onde internar o meu marido. Estou providenciando uma ambulância aérea para levar o meu marido para São Paulo. É angustiante ver alguém tentar respirar sem poder oferecer outro recurso”, diz. O Ministério Público do Amazonas abriu uma investigação sobre as mortes por falta de oxigênio no estado.

*Com informações do repórter Daniel Lian