A idade média da população da cidade de São Paulo aumentou de 25 para 37 anos no período de cem anos. Os dados são de uma pesquisa da Fundação Seade divulgada nesta semana. Para se ter uma ideia, em 1920, as pessoas com menos de 15 anos representavam mais de 35% da população da capital; em 2021, são 19%. Já a população entre 15 e 59 anos aumentou de 60% em 1920 para 65% em 2021. O número de idosos, ou seja, de pessoas com mais de 60 anos, quadruplicou, passando de 4% para 16%. Paulo Roberto da Silva, pernambucano que mora há 40 anos na capital paulista, completou 60 anos recentemente. Para ele, a cidade poderia cuidar melhor dos idosos. “Eu nunca vi na minha vida a pessoa tirar passagem do idoso, já não tem emprego. Se tirar a passagem do idoso o que vamos fazer, morrer de fome é?”, questionou.

Um dos motivos dessa mudança de faixa-etária é a queda na taxa de natalidade somada à expressiva redução da mortalidade. Apesar disso, a gerente de Indicadores e Estudos Populacionais da Seade, Bernadette Waldvogel, ressalta que a capital paulista é muito grande para ser estudada como um todo, e que as políticas públicas precisam olhar para cada região. “Nas áreas mais centrais você tem uma concentração maior da população com mais de 60 anos, enquanto na periferia você tem uma menor participação da população com mais de 60 anos.

Com quase 12 milhões de habitantes, o município de São Paulo, o maior do país, representa 26,6% da população estadual e 5,6% da brasileira. O crescimento foi de 20 vezes em cem anos. Atualmente, a cidade de São Paulo é mais populosa que Portugal e Grécia. Bernadette Waldvogel aponta, no entanto, que a população da capital deve diminuir nos próximos anos, acompanhando a tendência mundial. “A diferença entre nascimento e óbito está diminuindo e a gente está prevendo que em um futuro não tão distante a gente tenha um saldo vegetativo também negativo para a capital e para o Estado, isso vai fazer com que a população realmente diminua.”

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini