Nesta sexta-feira, 22, a Central Única de Trabalhadores (CUT) e o Fórum das Centrais Sindicais (CUT, Força, UGT, CTB, CSB, NCST), informaram uma colaboração com a Federação Nacional dos Sindicatos da China (ACFTU, na sigla em inglês) para a obtenção dos insumos que faltam para a produção das vacinas contra Covid-19 no Instituto Butantan e na Fiocruz. A ACFTU é a maior entidade sindical do mundo com 302 milhões de trabalhadores e 1,7 milhão de sindicatos filiados. “Em mais uma ação humanitária e de diplomacia de classe ante a criminosa incompetência do governo federal, as centrais apelaram à entidade sindical chinesa para interceder junto ao governo central da China e abrir caminhos para que o movimento sindical brasileiro consiga insumos à produção de vacina anti-Covid-19 e ajuda humanitária à população da Região Norte do Brasil, que, além da pandemia, enfrenta a falta de oxigênio hospitalar”, diz a nota publicada pela CUT.

O contato foi realizado nesta quinta-feira, 21, em uma reunião virtual com dirigentes brasileiros e membros da associação chinesa. De acordo com a CUT, os chineses se comprometeram a ajudar. “Vamos usar todos os nossos canais e esforços para levar a mensagem de vocês [centrais] ao governo central e ao Partido [Comunista Chinês] sobre as necessidades imediatas do povo brasileiro ante a pandemia”, afirmou An Jianhua, membro da Direção Executiva e secretário Internacional da Federação dos Sindicatos da China. A entidade ocupa a vice-presidência na Assembleia Popular chinesa (espécie de Congresso Nacional), com trânsito e forte influência junto ao governo do presidente Xi Jinping. Sem citar nominalmente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ou outro membro do governo brasileiro, An Jianhua disse que “algumas palavras de ignorantes não vão comprometer as tendências amistosas das relações entre a China e o Brasil”.

Acordo com a Venezuela para fornecimento de oxigênio

A reunião da CUT com a Federação Nacional dos Sindicatos da China acontece dois dias depois da Central fechar um acordo histórico de colaboração com o governo venezuelano, para o fornecimento de oxigênio hospitalar a Manaus, capital do Amazonas. O acordo de “colaboração e solidariedade de classe”, estabeleceu o fornecimento de 80 mil litros por semana de oxigênio hospitalar à capital do Amazonas. As Centrais mobilizarão o trabalho de logística (transporte e distribuição do produto). No último dia 16 o país já tinha enviado alguns cilindros para a cidade depois de uma conversa do ministro de Relações Externas da Venezuela, Jorge Arreaza, e o governador do Amazonas, Wilson Lima.