Mesmo sendo uma doença altamente prevenível, os dados ainda são alarmantes: o tumor de colo de útero atinge mais de 16 mil mulheres por ano no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, o Inca. Por ser uma doença considerada silenciosa, 35% dos casos acaba levanto a morte de pacientes. Esse tipo de câncer é causado pela infecção persistente por alguns tipos do papaloma vírus humano, o HPV. Dados do Ministério da Saúde apontam que 75% das mulheres sexualmente ativa entrarão em contato com o HPV ao longo da vida e cerca de 5% delas vão desenvolver o tumor maligno em um prazo de dois a dez anos. Neste início de 2021, médicos e autoridades de saúde fazem a campanha ‘Janeiro Verde’, que defende a conscientização sobre o câncer de colo de útero, considerado o terceiro tumor maligno mais presente nas mulheres.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o médico oncologista e fundador do Instituto Vencer o Câncer, Fernando Maluf, conta que os sintomas do câncer de colo de útero são o sangramento vaginal, principalmente depois da relação sexual, dores pélvicas, desconforto abdominal e, nos casos avançados, inchaço na região pélvica. “Você tem mais de 80 subtipos do HPV, os mais perigosos são o 16 e 18, associados com a maior parte dos tumores de colo de útero e da área da vulva, canal anal, pênis dos homens e na região da faringe de homens e mulheres.”

Um dos principais aliados no combate ao problema é a prevenção. Primeiro com a vacinação para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Depois com exames de rotina como o papanicolau, por exemplo. “A vacina é incrivelmente eficaz para quem não teve ainda início na vida sexual e contato com o HPV para evitar que essa pessoa desenvolva uma infecção por HPV“, explicou o médico. A pandemia do novo coronavírus acabou afastando as mulheres dos hospitais e clínicas. Com medo de serem contamidas, pacientes estão adiando consultas e exames primordiais para identificação do câncer de colo de útero, que tem 100% de chance de cura se diagnosticado em fase inicial. “Houve nos Estado Unidos, por exemplo, em três meses, 100 mil casos que deixaram de ser diagnosticados de câncer de colo de útero, de intestino, mama, prostata e pulmão, que são os tumores que você tem a possibilidade de antever o diagnóstico mais tardio”, disse Fernando Maluf. Para as mulheres, a indicação do médico é manter os exames de rotina.

*Com informações da repórter Kallyna Sabino