Ainda em negociações com a China, o Instituto Butantan espera receber até 10 de fevereiro mais dois lotes de insumos essenciais para a produção da CoronaVac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela instituição em parceria com o laboratório chinês Sinovac. A previsão inicial era que o material chegasse ainda em janeiro. Segundo o Butantan, são necessários 20 dias entre a chegada do material até a entrega das doses para distribuição. O governador João Doria tem negado entraves comerciais e políticos com os chineses, mas voltou a criticar a atuação do governo federal. “O Brasil poderia ter o sido o segundo país do mundo a iniciar a vacinação. O Brasil foi o 64º país do mundo graças ao negacionismo, falta de atitude e planejamento e os equívocos do governo brasileiro. Depois de tantas agressões pronunciadas e lideradas pelo presidente Jair Bolsonaro contra a China, contra a vacina da China, contra a vachina e as desqualificações que fez e, além disso, suportadas também pelas manifestações de dois dos seus filhos, Carlos e Eduardo Bolsonaro, isso criou um mal-estar, isso é fato.”

Ao todo, 6 milhões de doses da CoronaVac já foram distribuídas no país. Agora, a Anvisa avalia um pedido de liberação emergencial de mais 4,8 milhões de doses do imunizante. Até esta quarta-feira, 20, a agência reguladora já havia analisado 58% dos documentos apresentados. O acordo com o Ministério da Saúde prevê a entrega de 46 milhões de doses da vacina, com possibilidade de incluir mais 54 milhões de unidades do composto. Por isso, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, cobra uma definição mais clara da pasta sobre o fornecimento. “Existe a possibilidade de fornecer mais 54 milhões [de doses] desde que a haja a manifestação prévia do nosso Ministério da Saúde. Estamos absolutamente ansiosos para saber se haverá a encomenda adicional de 54 milhões porque, certamente, esses 54 milhões de doses serão necessários”, disse. Com número menor de doses do que o previsto, o Estado de São Paulo está priorizando a imunização de profissionais da saúde. Mais de 20 mil médicos e enfermeiros que atuam na linha de frente já foram vacinados.

*Com informações da repórter Nanny Cox