A Universidade Federal do Paraná encaminhou para a Agência Nacional de Vigilância (Anvisa) um pedido para a testagem da vacina contra a Covid-19 em humanos.

A instituição desenvolve, desde 2020, um imunizante contra a doença com insumos 100% brasileiros e com baixo custo de produção. (Veja mais abaixo). A pesquisa conta com doação de recursos adicionais para o desenvolvimento da vacina.

Conforme a UFPR, ainda não há um prazo oficial para a resposta da Anvisa, mas a expectativa é de que nos próximos meses possa ser iniciada a testagem da vacina.

“A vacina de fato protege da doença e tem capacidade neutralizante do vírus,” afirma o professor da instituição e um dos responsáveis pela pesquisa, Emanuel Maltempi de Souza.

Após a aprovação da Anvisa, conforme a instituição, será necessária a contratação de uma empresa para a produção do imunizante para teste. Isso porque a UFPR não dispõe de estrutura adequada para a produção da vacina para humanos.

“A gente produz a vacina em ambiente de laboratório, para teste em animais, mas isso não é permitido para que eu use este produto produzido aqui (laboratório) em pessoas. Ela tem que sair de uma fábrica de vacinas. Então fábrica nós não dispomos na UFPR. Outra atividade que vamos depender de uma contratação,’ comenta o professor.

Vacina UFPR
Desde junho de 2020, um grupo de pesquisadores da UFPR desenvolve a vacina. No momento, estão sendo concluídos os testes da fase pré-clínica. Nos últimos meses, novos experimentos trouxeram mais resultados promissores, segundo a instituição.

A proteína, que vinha sendo produzida com o auxílio da bactéria Escherichia coli, agora também é feita a partir de células de mamíferos, o que permite uma maior produção de anticorpos neutralizantes que bloqueiam o vírus, em relação aos primeiros estudos.

“Poderemos usar essa tecnologia na produção de vacinas para outras doenças também. Esse é o maior avanço, visto que já temos outras vacinas para a Covid. Mas avançamos, porque aprovada a tecnologia, ela vai nos alçar para tratamento de outras doenças, até mais complexas em termos de vacina, como a dengue, por exemplo”, explica Emanuel.

A tecnologia de produção é totalmente pertencente à universidade e é fruto de pesquisas com biopolímeros biodegradáveis e com partes específicas de proteínas virais.

Outro fator importante é o custo. As doses devem ser mais baratas do que outras disponíveis no mercado, com custo estimado entre R$ 5 e R$ 10.

Conforme os pesquisadores, os testes preliminares comprovaram que a vacina não apresenta efeito tóxico para o fígado e rim em camundongos nas doses utilizadas.

Estão previstos ainda estudos para avaliar a toxicologia com amostras de células invitro.

Após a conclusão dessa fase, será possível planejar o recrutamento de voluntários para os testes com humanos, segundo a UFPR.

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