Em outubro, avanço foi de 1,7%, mas setor segue 6,1% abaixo do patamar de fevereiro. No acumulado em 12 meses, tombo é de 6,8%, o maior já registrado pela pesquisa do IBGE. O volume de serviços prestados no Brasil cresceu 1,7% em outubro, na comparação com setembro segundo divulgou nesta sexta-feira (10) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da 5ª alta seguida, o setor ainda não conseguiu recuperar o patamar pré-pandemia e mostrou também uma desaceleração do ritmo de reação.
“O volume de serviços prestados se encontra 16,6% abaixo do recorde histórico alcançado em novembro de 2014 e 6,1% inferior a fevereiro de 2020”, informou o IBGE.
Volume de serviços mês a mês
Economia G1
O IBGE revisou os dados do setor de serviços de junho e de setembro. Ambos tiveram altas superiores às divulgadas anteriormente. Em junho, o crescimento foi de 5,5%, e não de 5,3%, enquanto o de setembro passou de 1,8% para 2,1%.
Já em relação a outubro do ao passado, o setor de serviços teve queda de 7,4%, a oitava taxa negativa seguida nessa base de comparação.
Perda de 8,7% no acumulado no ano e queda recorde em 12 meses
No ano, passou a acumular queda foi de 8,7%. Em 12 meses, o tombo passou de 6% em setembro para 6,8% em outubro, resultado negativo mais intenso desde o início da série histórica, em dezembro de 2012.
“Além dessas cinco taxas positivas consecutivas, a gente observa que a magnitude desse crescimento é cada vez menor. E mesmo que a gente tenha acumulado essa sequência de taxas positivas, ela ainda foi insuficiente para recuperar as perdas provocadas pela pandemia”, afirmou o pesquisador, destacando que falta crescer 6,5% para retomar o patamar de fevereiro.
Segundo Lobo, o setor ainda sobre influências negativas tanto na parte da demanda quanto de oferta. Ele destacou, entre outros fatores, que os brasileiros ainda estão receosos por conta do risco de contágio pelo coronavírus, enquanto muitas empresas ainda não retomaram totalmente o atendimento presencial, sendo que várias fecharam as portas por conta da crise.
“Esse caráter presencial da prestação de serviços funciona como um limitador do volume de serviços prestados”, enfatizou.
Destaques do mês
Na passagem de setembro para outubro, 4 das 5 cinco atividades pesquisadas cresceram, com destaque para informação e comunicação (2,6%). Apenas o setor de outros serviços (-3,5%) registrou taxa negativa nessa comparação.
Variação do volume de serviços em outubro, por atividade e subgrupos:
Serviços prestados às famílias: 4,6%
Serviços de alojamento e alimentação: 6,4%
Outros serviços prestados às famílias: -3,4%
Serviços de informação e comunicação: 2,6%
Serviços de tecnologia da informação e comunicação: 2%
Telecomunicações: -0,2%
Serviços de tecnologia da informação: 5,8%
Serviços audiovisuais: -2%
Serviços profissionais, administrativos e complementares: 0,8%
Serviços técnico-profissionais: 1,2%
Serviços administrativos e complementares: 0,3%
Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: 1,5%
Transporte terrestre: 1,4%
Transporte aquaviário: 0,9%
Transporte aéreo: 0,7%
Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: 1,3%
Outros serviços: -3,5%
Perspectivas
O setor de serviços foi o mais abalado pela pandemia de coronavírus e tem mostrando uma retomada bem mais lenta do que a observado no comércio e na indústria.
O patamar atual de atividade do setor de serviços é próximo ao de maio de 2018, quando ocorreu a greve dos caminhoneiros que derrubou os serviços prestados no país. “Embora próximo, esse patamar de agora ainda é inferior ao mês da greve dos caminhoneiros. Naquela ocasião, o setor de serviços operava 15,8% abaixo do pico”, explicou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.
Na quinta-feira, o IBGE mostrou que as vendas do comércio varejista cresceram 0,9% em outubro, na comparação com setembro, com o setor cravando a 6ª alta consecutiva. Com o resultado, o varejo agora já se encontra 8% acima do nível de fevereiro, pré-pandemia.
Já a produção industrial brasileira cresceu 1,1% em outubro, desacelerando ante a alta de 2,8% em setembro. No acumulado no ano, o setor ainda acumula perda de 6,3%.
O mercado financeiro passou a estimar uma retração de 4,4% para a economia brasileira neste ano e de 3,5% em 2021, segundo pesquisa Focus do Banco Central. Já a projeção para inflação foi elevada para 4,21% em 2020.
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