Índice Stoxx 600 fechou o dia aos 390,12 pontos e registrou perdas de 1% ao longo da semana. A Bolsa de Frankfurt, na Alemanha, cujo índice acionário DAX é o mais importante da Europa continental
Reuters
Pressionados pelas incertezas relacionadas ao acordo comercial entre o Reino Unido e a União Europeia, os índices europeus encerraram a sexta-feira (12) em queda e acumularam perdas na semana.
O índice Stoxx 600 fechou o dia aos 390,12 pontos, em desvalorização de 0,77% e registrou perdas de 1% ao longo da semana.
Em Frankfurt, o DAX recuou 1,36%, a 13.114,30 pontos e, em Londres, o FTSE 100 perdeu 0,80%, aos 6.546,75 pontos. Em Paris, o CAC 40 cedeu 0,76%, a 5.507,55 pontos. Em Milão e Madri, as referências recuaram 0,97% e 1,46%, respectivamente.
No acumulado semanal, as referências de Frankfurt, Londres, Paris, Milão e Madri caíram 1,39%, 0,05%, 1,81%, 2,15% e 3,12%, respectivamente.
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Brexit
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, disse, hoje, aos líderes europeus reunidos em Bruxelas que um Brexit sem acordo comercial ou de segurança é, agora, o resultado mais provável, de acordo com a Reuters, citando uma autoridade europeia a par do assunto.
Von der Leyen não deu um percentual de probabilidade para que um acordo seja alcançado, mas disse aos líderes europeus que “há uma probabilidade mais elevada de não haver um acordo do que de haver um acordo”, disse a fonte.
A avaliação da presidente da Comissão Europeia segue na esteira dos comentários do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que disse, ontem, que há uma “forte possibilidade” de que não haja um acordo comercial entre o Reino Unido e a União Europeia. Ambos os lados disseram anteriormente que um acordo precisa ser alcançado até domingo (13).
“Todas as indicações são de que a rodada final de negociações do Brexit está falhando, já que ambos os lados permanecem separados em questões-chave de uniformidade regulatória e tanto Johson quanto a presidente von der Leyen começaram a preparar seus respectivos constituintes para um possível rompimento sem acordo”, afirmou Boris Schlossberg, diretor executivo da BK Asset Management.
Segundo ele, a reação dos preços da libra, no entanto, não foi tão intensa quanto se esperava. “A indiferença talvez seja função de muitos avisos falsos no passado, já que os mercados estão acostumados com o adiamento constante do prazo final para as negociações”, afirma, apontando que, desta vez, a história pode ser diferente. No início da tarde desta sexta, a libra recuava 0,62% ante o dólar, negociada a US$ 1,3218.
As ações europeias não conseguiram ganhar tração mesmo após a decisão de política monetária do Banco Central Europeu de ontem, que expandiu e estendeu seu programa de compra de ativos. Segundo analistas, o avanço da pandemia de covid-19 na região segue pesando no otimismo de curto prazo.
Pandemia
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“Os números terríveis do coronavírus em toda a Europa também estão pesando sobre o apetite pelo risco. O número de novas infecções por covid-19 atingiu um recorde na Alemanha, e bloqueios mais rígidos parecem mais prováveis, agora, em toda a Europa ”, afirmou Milan Cutkovic, analista de mercado da Axi, em nota aos clientes.
“Enquanto governos e bancos centrais estão tomando medidas decisivas para combater os efeitos negativos dos bloqueios prolongados, está se tornando mais difícil para os participantes do mercado ignorar os efeitos iminentes desta crise”, disse.
Destaque
Entre as ações de destaque no pregão de hoje, a Ericsson recuou 4,26%, depois que a fornecedora de equipamentos de telecomunicações sueca disse que entrou com uma ação contra a Samsung Electronics, nos EUA, por violações de compromissos contratuais. A Ericsson alertou que atrasos no pagamento de royalties e custos legais podem custar entre US$ 118,1 milhões e US$ 177,2 milhões por trimestre.
As ações da Randstad avançaram 3,39%, após a empresa de recrutamento holandesa ter relatado uma recuperação mais rápida do que o esperado no quarto trimestre do ano até agora, e ter elevado sua projeção de lucros.
As ações da Rolls-Royce caíram 7,87%, depois de a fabricante britânica de motores para aeronaves ter anunciado que, agora, espera uma saída de caixa maior, de US$ 5,58 bilhões para 2020, devido ao aumento de infecções pelo novo coronavírus, que retardaram a recuperação das viagens aéreas.
A Koninklijke Ahold Delhaize anunciou que garantiu uma linha de crédito rotativa de sustentabilidade de US$ 1,21 bilhão, que ajudará a varejista de alimentos listada em Amsterdã a reduzir o desperdício e as emissões de carbono, fornecendo flexibilidade financeira em meio à pandemia. Mesmo assim, as ações caíram 1,24%.
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