A fiscal Adriana Alves, que trabalhava no Carrefour de Porto Alegre onde o cliente João Alberto Silveira de Freitas foi espancado até a morte na noite da última quinta-feira, 19, foi presa pela polícia civil do Rio Grande do Sul na tarde desta terça. Com mandado de prisão expedido pela Justiça, ela se apresentou ao Palácio da Polícia na companhia de seu advogado. Durante as agressões, a fiscal ameaçou uma testemunha que gravou o espancamento. No vídeo, a funcionária de camisa branca, calça preta e crachá pede para a testemunha interromper a gravação. “Não faz isso, não faz isso senão vou te queimar na loja”, disse. Em nota, o Carrefour confirmou que ela foi afastada do cargo. “Está presa temporariamente pelo prazo de 30 dias para que possa esclarecer todas as circunstâncias”, confirmou a delegada responsável pelo caso Roberta Bertoldo.

A delegada afirmou que Adriana tinha autonomia sobre os seguranças para impedir as agressões. “O Departamento de Homicídios entende, a partir das imagens que foram captadas e dos testemunhos colhidos, que Adriana tinha sim o poder, naquele momento, de cessar as agressões, a partir do fato de ser ali superior imediata dos indivíduos que exerciam a segurança”, explicou. Além dela, já foram presos os dois seguranças Giovane Gaspar da Silva e Magno Braz Borges, flagrados espancado Freitas até a morte. A Justiça decretou a prisão preventiva dos dois. A Polícia Civil já tinha adiantado que outras pessoas, flagradas na cena do crime, estavam sendo investigadas para apurar se houve omissão de socorro. “Estamos tentando identificar a conduta de cada um deles para ver se houve conduta omissiva. Além disso, buscamos elucidar a motivação do crime e estabelecer uma dinâmica dos fatos”, afirmou a chefe da Polícia Civil, delegada Nadine Anflor.

Apesar do supermercado ficar na cidade de Porto Alegre, onde haverá segundo turno, Adriana é eleitora de outro município da Região Metropolitana que não terá votação no próximo dia 19. Por causa disso, não se enquadra na regra que proíbe prisões que não sejam em flagrante por um período de cinco dias antes das eleições. Na sexta-feira, vence o prazo de dez dias para conclusão do inquérito. A Polícia Civil pode pedir prorrogação por mais 15 dias para concluir investigação. Um dia depois do crime, na sexta-feira, a investigação informou que o laudo preliminar do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontou a asfixia como causa da morte. A Polícia Civil ampliou as investigações e busca esclarecer se houve omissão de socorro das demais pessoas que assistiram aos dois seguranças brancos espancarem até a morte João Alberto. Enquanto João Beto, como era conhecido, era agredido, outras pessoas acompanhavam o crime. Além da fiscal presa nesta terça, outro funcionário do mercado também tem a conduta investigada. Além disso, a delegada Roberta Bertoldo pediu autorização da Justiça para ouvir os seguranças presos. “Pretendemos ouvir os dois. O inquérito será concluído somente quando concluirmos esta etapa e tivermos o laudo pericial”, afirmou. A dupla vai responder por homicídio triplamente qualificado. O inquérito também apura o crime de injúria racial.

*Com informações do Estadão Conteúdo