O Conselho Nacional de Justiça anunciou nesta terça-feira, 24, que abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra a desembargadora Marília de Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para analisar manifestações feitas nas redes sociais com ofensas contra a vereadora Marielle Franco, morta no ano de 2018, o ex-presidenciável e atual candidato à prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos e o ex-deputado Jean Wyllys. No ano de 2018, pouco após o assassinato da vereadora, a desembargadora publicou notícia falsa nas redes sociais ligando Marielle ao Comando Vermelho do Rio de Janeiro. Ela teria, ainda, publicado uma foto de Guilherme Boulos afirmando que ele seria “recebido na bala” após decreto do presidente Jair Bolsonaro e teria ainda dito em um grupo do Facebook que seria a favor de uma “execução profilática” de Jean Wyllys.

“A defesa de Marília de Castro Neves Vieira alegou que os comentários feitos pela desembargadora se referiam a questões políticas e sociais de domínio público. Disse ainda que o magistrado também é cidadão e, por isso, teria o direito de se manifestar”, explicou nota do CNJ. Apesar de responder ao processo, a desembargadora não vai ser afastada das funções que cumpre no TJ-RJ. Ela também não responderá processualmente por falas feitas sobre feminismo ou por manifestações político-partidárias publicadas no perfil pessoal dela antes de dezembro de 2018, mas responderá por outras falas sobre crianças com síndrome de down e falas acerca de pessoas transexuais.