A Justiça Eleitoral ordenou a suspensão da conta no Youtube do bolsonarista Oswaldo Estáquio. A decisão veio após a campanha do candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) entrar com ação acusando o youtuber de propagar de fake news. Um dos vídeos de Oswaldo contra Boulos é o “O laranjal de Boulos: PSOL utiliza empresas fantasmas para lavar dinheiro na corrida eleitoral em SP”. O blogueiro afirma que candidato do PSOL lavou dinheiro por meio da contratação de empresas falsas. Além disso, Oswaldo imputa a Boulos a prática do crime de falsidade ideológica eleitoral, afirmando que o dinheiro destinado às duas empresas seria oriundo de recursos públicos apropriados pelo psolista. O bolsonarista já foi preso no âmbito do inquérito que investiga o financiamento de atos antidemocráticos contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

As informações contidas no vídeo foram centro de um embate entre Boulos e Celso Russomanno (Republicanos) no debate da última quarta-feira, 11, realizado pela UOL em parceria com a Folha de S. Paulo. O conteúdo foi publicado justamente durante o debate eleitoral e no mesmo instante em que o candidato do Republicanos utilizou ao vivo as acusações contra Boulos. “Vendo a prestação de contas do Boulos, eu encontrei a Kirion Vagabundo Limitada, que não está no endereço certo. Ou seja, é empresa que o senhor deu de R$ 24 mil a R$ 28 mil, e a empresa não se encontra no local, é fantasma”, disse o deputado federal. O vídeo com denúncia sobre as empresas fantasmas já havia sido retirado pela Justiça, mas Oswaldo continuou postando outros materiais com denúncias falsas contra o candidato. “Essas imputações feitas pelo ora representado já foram consideradas irregulares por este Juízo em duas outras ocasiões; que ao revés das reiteradas determinações judiciais, o representado continua publicando novos vídeos com o mesmo conteúdo, após a exclusão dos anteriores, em evidente demonstração de afronta ao Poder Judiciário”, consta a decisão do juiz Emílio Migliano Neto. Segundo ele, veiculação dessas acusações falsas tem o “claro propósito de prejudicar a imagem do representante e candidato Boulos às vesperas das eleições”.

O juiz explica que os vídeos tipificam os “delitos contra a honra em âmbito eleitoral, pois tratam dos crimes de divulgação de informação sabidamente inverídica, difamação e calúnia, realizados com propósito eleitoral”. No último debate antes do primeiro turno das eleições municipais, promovido pela TV Cultura, na última quinta-feira, 12, Russomanno questionou novamente o candidato do PSOL sobre o suposto uso de empresas fantasmas em sua campanha. Em seu tempo de resposta, Boulos também afirmou que o candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro “quer trazer o gabinete do ódio para a cidade de São Paulo”. O termo “gabinete do ódio”, investigado pela CPMI das Fake News, se refere ao grupo de assessores presidenciais que atuariam na elaboração de relatórios para atacar desafetos políticos do presidente Jair Bolsonaro.