Acusado de de ajudar a orquestrar o impeachment de seu antecessor e irritar os peruanos já atingidos por um surto de coronavírus devastador e uma forte crise econômica, o novo presidente do Peru, Manuel Merino, está enfrentando uma reação adversa. Da Plaza San Martin de Lima às cidades do interior e nos altos Andes, os peruanos intensificaram os protestos contra o atual líder, gritando “abaixo o usurpador”. “Este é um golpe de estado, é antidemocrático”, disse Lucia Cordova, uma professora de 30 anos em Lima que bateu colheres de metal contra sua bicicleta durante um protesto. “Ele não é meu presidente. Eu não o aceito.” Terceiro presidente do Peru em menos de quatro anos, Merino prestou juramento na terça-feira depois que o Congresso aprovou por esmagadora maioria o impeachment de Martin Vizcarra usando uma cláusula constitucional obscura para declará-lo moralmente inapto para ocupar o cargo.

Sem vice-presidente, Merino foi o próximo na fila como presidente do Congresso a assumir a chefia de Estado. Os legisladores disseram que destituíram Vizcarra, embora as novas eleições sejam em abril, por causa de alegações não comprovadas de que ele aceitou subornos como governador do estado de 2011 a 2014. Vizcarra nega. Eles também citaram a forma como Vizcarra lidou com a pandemia, que matou 35 mil pessoas e deu ao país a segunda maior taxa de mortalidade per capita do mundo. A Organização dos Estados Americanos ainda não reconheceu Merino como o presidente legítimo do Peru, e grupos internacionais de direitos humanos alertam que o Estado de Direito está sendo minado. O autor do Prêmio Nobel do país, Mario Vargas Llosa, disse que a ascensão de Merino ao poder foi inconstitucional e está alimentando a anarquia.

* Com Estadão Conteúdo