As pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos dias mostram o prefeito Bruno Covas (PSDB) na liderança isolada na corrida pela Prefeitura de São Paulo. Eleito como vice-prefeito em 2016 na chapa encabeçada pelo seu correligionário João Doria, hoje governador do estado de São Paulo, o tucano tenta a reeleição para mais quatro anos à frente da maior cidade do país. Os levantamentos feitos por Ibope e Datafolha mostram que Covas venceria Guilherme Boulos (PSOL), Celso Russomanno (Republicanos) e Márcio França (PSB) no segundo turno, mas, internamente, a campanha não descarta a possibilidade de a vitória ocorrer ainda em primeiro turno. Para isso, seriam necessários mais da metade dos votos válidos, excluindo brancos e nulos – de acordo com o Datafolha, o prefeito tem 36% dos votos válidos. Os dois principais trunfos são o derretimento de Russomanno e o avanço do candidato do PSDB junto ao eleitorado evangélico.

Na quarta-feira, 11, a pesquisa divulgada pelo Datafolha mostrou Bruno Covas com 32% das intenções de voto (no dia 23 de setembro, o índice era de 20%), e Celso Russomanno com 14% (na mesma data, ele tinha 29%). Entre os evangélicos, o tucano subiu de 25% para 32%, enquanto o deputado federal viu o apoio deste grupo ao seu nome despencar de 25% para 14%. Apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar é filiado ao Republicanos, braço político da Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo. Um integrante da campanha ouvido pela Jovem Pan afirmou que o diagnóstico interno mostrava a possibilidade de o candidato do PSDB “virar votos em segmentos cruciais” da população, como o eleitorado evangélico, católico e LGBT, por exemplo. Outro aliado do prefeito ouvido pela reportagem avalia que o uso da palavra “fé”, presente no slogan “foco, força e fé”, foi importante para aproximar o eleitor religioso das propostas do tucano.

Neste sábado, 14, véspera do primeiro turno, o Datafolha divulgará uma nova rodada de pesquisas. A campanha está otimista em relação ao resultado e, baseada nos trackings internos, acredita que o prefeito alcançará, pelo menos, 36% das intenções de voto. “Dependendo do voto útil, podemos ganhar, sim, no primeiro turno. O paulista não vota em quem perde. Essa percepção de que o seu candidato pode estar fora do páreo conta a favor neste momento. O que constatamos é que os adversários do Bruno têm um eleitor muito volátil. O eleitor pode querer eliminar a esquerda já no primeiro turno. Eleição só se ganha quando a urna fecha, mas a expectativa existe”, disse à Jovem Pan um membro da cúpula do PSDB municipal.

Para um eventual segundo turno, o PSDB espera ampliar ainda mais seu arco de alianças na capital – a coligação de Bruno Covas é formada por outros dez partidos (DEM, Podemos, MDB, PSC, Progressistas, PL, PROS, Cidadania, PTC, PV. Duas das siglas que estão no radar dos tucanos são o PSD, de Andrea Matarazzo, e o Republicanos. O apoio do último, claro, dependeria do fracasso de Celso Russomanno no primeiro turno – nas duas últimas eleições municipais, em 2012 e 2016, o deputado federal começou a campanha na liderança e desidratou na reta final. “No último debate [promovido pela TV Cultura], Matarazzo não atacou Bruno, o que nos faz crer que o PSD pode nos apoiar. Russomanno não indo ao segundo turno, o Republicanos deve apoiar também. Isso tudo cria um cenário favorável para a reeleição do prefeito”, avalia um correligionário.